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Disconnected _ Think Tank # agosto 2004

THINK TANK
Por André Melo

Aqui está um disco complicado. Confesso que depois de ouvir THINK TANK pela primeira vez tive uma enorme vontade de jogá-lo pela janela, mas à medida que fui escutando mais vezes meu conceito foi mudando, mesmo ficando irritado em algumas audições e em outras não entendendo o porquê da irritação anterior. Hoje vejo que o disco é tão inconstante quanto às minhas sensações nas diversas audições.

No início do trabalho, quem pulou fora do barco foi o guitarrista Graham Coxon. O engraçado é que, com a sua ausência, parece que a bateria e o baixo passaram a soar diferentes do que em álbuns anteriores, com linhas mais trabalhadas ou batidas mais quebradas e muitas mudanças de ritmo e fortes marcações. Fica a impressão de que a cozinha ganhou maior importância. Para compor e gravar o disco, a banda foi até o Marrocos buscar inspiração, e muitos elementos, como melodias e instrumentos e até mesmo uma orquestra daquela região, podem ser encontrados aqui. Muita influência eletrônica também pode ser ouvida.

A primeira faixa, AMBULANCE, é uma das melhores e já mostra como será o disco. Parece que todas as canções seguem o esquema dela. A introdução é bem comprida, com os instrumentos e demais sonoridades entrando aos poucos. Lembra muito o Blur de outros discos, mas não é a mesma coisa. OUT OF TIME é a típica balada de Damon Albarn somada a novos elementos sonoros. A seguir vem o hit CRAZY BEAT, faixa produzida por Norman Cook, mais conhecido como Fatboy Slim. Aqui a parte eletrônica é o ponto principal da música, mas o riff de guitarra é bem forte e marcante. Depois do agito vem GOOD SONG, bela canção que mistura o que parece ser uma base eletrônica somada a um riff acústico.

Daí para frente o álbum parece cair de qualidade. Tudo tem a marca e a cara da banda, mas ela parece que exagera e acaba se perdendo em certas experimentações. Tudo bem, o Blur sempre foi uma banda que experimentou muito e se dava muito bem com isso, mas em THINK TANK a história foi outra. O exemplo perfeito está em ON THE WAY TO THE CLUB, com efeitos carregadíssimos e um ritmo inconstante, sem conseguir empolgar. Mas uma coisa é de se tirar o chapéu: mesmo em momentos como esses, o grupo consegue fazer refrãos contagiantes e expressivos.

O trabalho se arrasta por algumas canções mais discretas e sem vida, mesmo que com letras interessantes, como CARAVAN, que fala de solidão mostrando uma luz no fim do túnel. WE'VE GOT FILE ON YOU, instrumental com muita força e grande influência marroquina, faz com que você se lembre de que o Blur é um dos melhores nomes da sua geração.

Mas como neste disco a felicidade dura pouco, os caras se perdem novamente em faixas como JETS e GENE BY GENE, músicas novamente com o jeito da banda: refrãos ótimos, mas levadas instáveis. A última faixa, BATTERY IN YOUR LEG, é a única que contou com a participação do ex-guitarrista Coxon. Se o Blur seguir o caminho que apontou aqui, talvez fique difícil imaginar que teremos grandes álbuns como PARKLIFE (1994) e BLUR (1997). Só nos resta torcer para que THINK TANK seja apenas um pequeno lapso. 5

01. AMBULANCE
02. OUT OF TIME
03. CRAZY BEAT
04. GOOD SONG
05. ON THE WAY TO THE CLUB
06. BROTHERS AND SISTERS
07. CARAVAN
08. WE'VE GOT A FILE ON YOU
09. MOROCCAN PEOPLES REVOLUTIONARY BOWLS CLUB
10. SWEET SONG
11. JETS
12. GENE BY GENE
13. BATTERY IN YOUR LEG

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