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Eurochannel _ Europop # 1999
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Damon Albarn - data de nascimento: 23.03.1968, em
Leynstone, Inglaterra.
Formação: A banda no começo se chamava Seymour
e foi formada pelos mesmos integrantes. Curiosidade: Quando Damon
tinha 19 anos, trabalhou como barman no The Portobello Hotel e
atendeu Bono Vox. O colar que Damon usa até hoje
foi feito pela sua mãe para uma peça de teatro há anos atrás.
Outono de 89, começo do "Madchester",
movimento liderado pela banda The Stone Roses,
inspirado nas tradicionais bandas de Manchester,
como New Order, Joy Division e A Certain Ratio.
Aqui estamos nós. No leste de Londres.
Damon Albarn: É.
Alex James: Nós estudamos juntos na escola.
É mesmo?
Alex: É.
Eram bons alunos?
Damon: Como nossos amigos.
Na adolescência, Damon gostava de Karl Marx, violino, teatro e bebidas
fortes. Nessa época, seu maior interesse era o teatro e não a música. Sua primeira peça foi
The Boyfriend, um musical dos anos 20 onde ele dançava charleston.
Vocês se conheceram aqui na escola?
Damon: Sim, aos 11 anos.
Você acha que a amizade transformou-se em uma relação comercial?
Damon: Absolutamente. Às vezes,
gostaria que sim, pois as coisas seriam mais fáceis.
Quando se conhece alguém há tanto, você fica
chateado se eles ficam chateados e fica feliz se
eles estão felizes. Se eu o tivesse conhecido
antes dos onze anos seria como um irmão.
SHE'S SO HIGH
O que as pessoas perguntam quando falam com vocês?
Damon: Querem saber tudo.
Diga. O que perguntam? Graham Coxon:
Quais os sanduíches favoritos.
POPSCENE
"A cultura pop nunca foi uma coisa nova para mim. Eu sempre pude ficar
até tarde nas festas em casa, com pessoas bêbadas e drogadas." Damon, em entrevista à Q
Magazine.
Damon: Foi sorte terem
apostado no nosso potencial, acho que o Britpop... sentir-me responsável por um movimento... nada
pode ser melhor. Canções como PARKLIFE
e GIRLS & BOYS estão entre as
melhores coisas que já fizemos. São quase como um ícone. Os discos não analisavam se a situação
do país estava legal ou se a nossa cultura era interessante, eles eram um ataque contra tudo.
Foi uma surpresa quando disseram que PARKLIFE era uma celebração da vida
na Grã-Bretanha? Damon: De jeito nenhum. Estávamos
indo bem em um tipo de vida britânica. E pessoas que eu conhecia andavam na frente, então quis tentar.
O terceiro álbum PARKLIFE ficou no Top 20 por 90 semanas e vendeu mais de 1,8
milhões de cópias e foi indiciado para o Mercury Music Awards.
O importante para o Blur é fazer shows ao vivo? Alex:
A resposta é que, quando você está no palco gostaria de estar no estúdio e quando está no estúdio,
gostaria de estar no palco, é o que todos dizem.
END OF A CENTURY
Alex: É incrível, incrível, incrível. Choveu, mas não fez
nenhuma diferença. Tudo deu certo, foi maravilhoso.
Foi sua melhor noite?
Alex: Com certeza.
TO THE END
E você estragou tudo? Damon: Eu estava tentando
ser alguém que não podia ser. Isso basta para confundir qualquer um.
Os outros membros da banda também se sentiam assim?
Damon: Acho que sim, porque
eles precisaram consertar o estrago que eu fiz. A
gente se comporta como um astro pop quando quer e
quando pensa que está no topo e que de algum
modo pode transformar o mundo. Mas nem sempre os
outros o vêem da mesma forma, e essa é a tragédia.
Eu realmente era um astro pop. Agora acho que não
sou. Foi uma época estranha na Grã-Bretanha, a
música não era legal e nós embarcamos na idéia
de que a música inglesa dominaria o mundo e
outras bobagens assim.
Mas para o público você foi responsável por isso?
Damon: Em parte sim, mas agora
tudo me parece meio ridículo e juvenil.
Imagino que você ouça Beck e Pavement e outros grupos americanos.
Damon: A primeira vez que ouvi
o Beck foi quando tivemos aquela reunião.
E foi uma catarse compor as músicas do álbum
depois disso?
Damon: Foi sim, do começo até
o fim, como tudo o que nos propusemos a fazer.
STEREOTYPES
Você ia fazer um videoclipe onde teria
Damon Hill. Não é verdade?
Damon: Sim. Damien Hirst.
Ah, Damien Hirst, não Hill.
Damon: Ele é um artista.
Ele é um homem que coloca porcos com cores engraçadas
no formol.
Damon: Sim, formol. Alex: Ele vai nos conservar em
formol e vamos ganhar mais um pouco de dinheiro.
Bem, o clipe é uma viagem sem limites na página
3 do Sun in the Pump, e tem animais e
peitos e frutas e leite e muitas outras coisas.
THE GREAT SCAPE. A grande fuga do quê?
Alex: A música é somente uma
fuga temporária da tirania do pensamento consciente.
Brit Awards. Em 95, eles ganharam 4 prêmios Brit Awards por: melhor álbum,
melhor clip, melhor música e melhor banda.
Certa vez você disse que nunca havia
ganho prêmios e ganhou três Brits. Como foi que...
Damon: Quatro Brits.
Quatro, certo. Como se sentiu?
Senhoras e senhores, o vencedor é Blur. Esta é uma noite histórica.
Nenhum outro grupo ou artista jamais ganhou quatro prêmios Brit.
Alex: Isso é muito embaraçoso.
Vou dizer algumas palavras. Eu nunca estudei
nenhum instrumento, era muito chato estudar música,
era como estudar gramática ou nunca conversar.
Por isso, digo à vocês, peguem seus discos do
Oasis e do Blur e do Eternal e levem-nos à
escola e digam: "Esta é a linguagem que entendo,
ensinem isto, é isto que me interessa". Damon: Bicha. Quero dividir
este com Oasis.
Graham: Temos que mostrar
respeito por eles.
Damon: Obrigado a todos que
participaram no passado e no presente. Acorde, América.
CHARMLESS MAN
Houve uma espécie de processo entre THE GREAT SCAPE e o álbum BLUR.
Muitas pessoas falam do novo álbum como, em
minhas palavras, um flerte com a música
americana.
Damon:
Isso é bem estranho. Nós
sempre tivemos um público fiel aqui. Para uma
banda estrangeira como a nossa vencer na América,
é preciso que seu disco toque muito no rádio e
também na MTV.
Qual a prioridade que deram à América
nos últimos seis meses?
Damon: Atualmente estamos
passando mais tempo aqui do que em qualquer outro
lugar. Acho que isso é uma prioridade.
Você diz que queriam ser meio assustadores.
Graham: Acho que é bom ser
assustador. Eu já fiquei assustado com músicas
como STRAWBERRY FIELDS FOREVER e
outras, imaginando o que aquilo significava.
"A vida normal é
fascinante, isso era o que eu queria ter. Comecei
minha vida no meio de uma floresta hippie com
macacos e crisântemos." Damon, em
entrevista à The Face.
BEETLEBUM
Vocês estiveram perto de se separar na
época?
Damon: Eu ia me separar, não
sei os outros, mas eu ia.
Você falou com eles, disse que precisava se
afastar?
Damon: Falei com Dave e Alex,
mas nunca com o Graham. Nunca disse ao Graham que
não agüentava mais. É difícil sair em turnê
e trabalhar tanto. Acho que todos numa banda, no
final de uma turnê se odeiam com alguma
intensidade. Quando começamos em 1989, esse era
o nosso som. Não era tão bom, mas era mais ou
menos o que a banda pretendia ser. Tínhamos a
mesma linha de pensamentos e idéias.
SONG 2
Você acha que vocês perderam parte de
sua platéia com esse álbum?
Damon: Que parte?
Bem, muitos poderiam pensar que
comercialmente foi um erro gravar o álbum BLUR.
Damon: Aqui na América não
foi.
É verdade.
Damon: Em nenhum outro lugar além
da Inglaterra. Nós nos preparamos para voltar ao
ponto onde estávamos com MODERN LIFE IS RUBBISH. Achamos que os fãs fiéis o
comprariam e voltaríamos a ser uma banda cult
novamente, mas isso não aconteceu. Devido a SONG 2, que eu nem sequer... eu não
tinha idéia que seria um single, gravamos ao
vivo sem muitos aparatos, quase sem perceber, foi
tudo muito rápido.
Então, não havia um plano para o lançamento,
havia?
Damon: Não, eu não pretendia
lançá-lo, pensava que era uma daquelas músicas
pesadas que temos no álbum, mas estava
completamente enganado.
A banda tem influências
de jazz, rock, música clássica e muitas outras,
que são reconhecidas nas canções até hoje.
ON YOUR OWN
Alex: Não se pode dizer que a música
é isto e significa isto porque ela obviamente não
é. Cada um responde de um jeito à música, por
isso é muito difícil explicar um disco que você
fez. A melhor maneira de explicá-lo é tocá-lo.
TENDER
O álbum 13 é diferente.
Conte sobre a transformação. Ela foi
intelectual, vocês disseram "vamos fazer um álbum
diferente" ou aconteceu de outra maneira?
Graham: Acho que aconteceu
quando estávamos sem inspiração e usamos o que
tínhamos dentro de nós sem qualquer influência.
Damon: Houve algumas pessoais,
mas basicamente é sobre perda, coração partido
e essas coisas.
Alex: Como fúria e loucura e
ódio e medo e horror e alegria, tem muito disso.
O álbum 13
comemora 10 anos de carreira e foi inspirado na
separação, depois de oito anos, de Damon e
Justine Frishmann, líder da banda Elastica. When You're Walking
Backwards to Hell
e No-one Can See You But God foram
alguns nomes rejeitados para título do álbum 13.
Não é masoquismo pôr tudo isso num
disco?
Damon: Com certeza é, até
certo ponto, mas, às vezes, você não consegue
evitar, não pode se controlar. Eu não pude me
controlar. Venho tentando não escrever músicas
como essa há anos, mas foi impossível evitar.
E o que me diz sobre William Orbit?
Graham: É uma figura, um homem
lindo. Parece uma criança na véspera de Natal.
Ele diz que gravar no estúdio é assim.
Dave Rowntree: Ele é maravilhoso. Ele
prepara um canto no estúdio com os samplers e
teclados.
Graham: Ele sonha com sons e
fica absolutamente emocionado.
Damon: Ele ama a música. É
incrível conviver com alguém que ama a música.
Graham: Ele falou comigo uma
hora que o som da guitarra era demais. Nenhum
outro produtor nunca disse algo do gênero. Ele
nunca me disse para largar minha guitarra.
Musicalmente pervertido...
Graham: É o que apreciamos nos
seus remixes. Ele devora, ele perverte.
O DJ William Orbit é o
produtor do álbum 13 e também co-produtor
do último álbum da Madonna, RAY OF LIGHT.
Ele usa recursos da música eletrônica como
ferramenta complementar.
Você considera Blur a maior banda do
mundo?
Alex: Somos a maior banda da
Grã-Bretanha, portanto isso faz sentido.
Blur é a maior banda do mundo?
Damon: Não, a maior da Grã-Bretanha,
mas não do mundo. Ainda precisamos trabalhar
muito.
Qual o próximo passo do Blur depois da
Inglaterra e depois do que foi nos Estados Unidos?
Damon: Talvez a salsa.
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