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Eurochannel _ Europop # 2000
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Algumas bandas definem seu som assim que começam a tocar. Nós não temos um som específico, então podemos ser flexíveis.
Metropolitan, Rio de Janeiro, 23.11.1999 BUGMAN
Nome: Blur
Líder: Damon
Criação: 1989, em Colchester, Inglaterra. No início,
a banda se chamava Seymour.
Alex James: Como agora é inverno na
Inglaterra, eu estava ouvindo só som melancólico de inverno. Dave
Rowntree: Pro coração. Alex: Pra ficar perto do fogo. Mas aqui
o som é... o balanço é diferente. Dave: É estranho pra mim. A bossa nova sempre foi um botãozinho no meu teclado e tudo começou aqui.
Alex: Queríamos vir aqui porque não trabalhamos muito este disco. Fizemos alguns festivais na Europa, dois shows nos EUA. O lance
pode ficar muito repetitivo, a cena vive mudando, mas tem muita repetição. Queríamos vir aqui com alguma coisa nova. Viajar é a melhor parte do trabalho.
Damon Albarn: Gostaria de ouvir um bom samba. Coisas antigas... jazz brasileiro dos anos 50 seria legal. Eu sei, essa chance não é todo dia.
Alex: Mas é fantástico. Nosso diretor, o agente e as três gravadoras estão aqui. Vivem para isso. Dave: Decidiram que aqui tem
muito trabalho. Vivemos voando. Alex: Mas como é a nossa primeira vez aqui, estamos abertos para absorver tudo. Eu acho.
Como chegou ao título do cd? Eu sei que havia outras opções além dessas... Damon: I Want to See You, Walking
Backwards to Hell, por exemplo. Esse é o número do meu estúdio, onde começamos a gravar o cd. Só isso.
O disco é bem pessoal... e 13 é apenas um número? Damon: Mas é um número
sugestivo, não? Então... Mas o estúdio é o lugar onde faço meu som. Pra mim, o título é bem pessoal.
Como foi trabalhar com William Orbit? Como foi esse encontro?
Dave: Aconteceu porque nós tínhamos feito alguns remixes com ele de um jeito diferente dos outros. Começamos a fazer algumas músicas com outros, mas resolvemos ver como
seria com ele. Mas quando começamos, vimos que ia funcionar.
Alex: Foi realmente uma coisa muito incrível... ouvir aqueles discos. É som
de estrada do bom. Tem remix preguiçoso. Fizemos um disco só com remix. A faixa que ele tinha feito estava distorcida, é meio louca. Meio louca, meio doida. Tanto quanto ele. Ele é um
cientista. Foi um jogo. A gravadora estava por trás, queriam um cd com o produtor da Madonna, mas queríamos um som lesado, não tipo Madonna. Ele toca muito, entende tudo de guitarra. Isso é importante numa
banda de guitarra, mas é a banda que fez o som, não o produtor. Você tem de saber o que quer e o produtor te ajuda a chegar lá. É colaboração. A música é um processo de colaboração... quando se saca isso, se vende milhões.
GIRLS & BOYS é som pra dançar. Você tem que explorar os sons e depois disso, para manter o interesse em continuar, precisa fazer outra coisa. Não dá pra ficar 10 anos no mesmo som.
Dave: Sei lá. Acho que não concordo com você. Algumas bandas estouram fazendo dance music. Houve a época de fazer remix para dançar. Acontece que quando as
pessoas souberam que estávamos com William Orbit, imaginaram que tínhamos abraçado o som tecno e que fazíamos um disco do William e não do Blur.
Alex: As gravadoras gostam de ser fácil tocar nas rádios. Ainda mais na Europa. Esse é o mercado: ritmo pra dançar. Os bateristas são a força mais desprezada da música. Os
produtores dizem que é só pra vender. O ritmo é mais importante depois vem o vocal. E o resto... Dave: ... é bobagem.
Alex: É bobagem, é enfeite. As gravadoras tentam forçar essa barra, eles dizem que é como fazer pizza. As pessoas querem pizza, querem dançar dance music. Se você quer pôr
algum ingrediente novo, algo que seja incomum, as pessoas estranham. Tem gente que curte, tem gente que não. Querem pizza tradicional. Dave: Ficou claro.
Damon: Quando mostrei a faixa pra banda ficaram chocados com a batida dance. O interessante é que Graham tentou transformá-la num rock. Nessa tentativa foi surgindo um som híbrido
interessante. Eu gosto da letra, ela é meio... é bem provocante. Foi feita de um jeito que ninguém notou. É sobre sexo anal, e tal.
GIRLS & BOYS
Quando entram no estúdio, vocês já sabem tudo que vão fazer, ou não? Damon: Cada um tem suas idéias. Eu tentei ficar o mais perto possível da versão
demo, mas, às vezes, eles me ignoram. Então, não é sempre que dá, mas eu tento manter o máximo de controle possível, mas cada um tem sua voz na banda.
Como vocês equilibram a pressão das
gravadoras? O dinheiro com os valores artísticos do grupo? Acho que o Blur se prende aos seus valores. Alex: É mais difícil ser bom do que popular. Sempre tentamos ser bons. Então...
Dave: Quando você está usando o dinheiro dos outros e tem liberdade de fazer o que quer, você tenta tomar todas as decisões certas. Toda banda que começa tem que
obedecer, mas tem como mostrar que seu trabalho pode trazer sucesso comercial e artístico.
Alex: Estamos na EMI há mais tempo do
que seus funcionários atuais. Quando você faz um lance por dez anos ganha experiência. As gravadoras são pessoas. Têm essa imagem "a gravadora manda". Olha a gravadora ali. Ele
é uma graça. Dave: Não é uma graça?
Damon: Agora vamos tocar COFFEE & TV.
Metropolitan, Rio de Janeiro, 23.11.1999 COFFEE & TV
COFFEE & TV ganhou prêmio de melhor clipe na MTV. Damon: Eu sei, foi uma surpresa,
ninguém nos contou. Mas acho que não era tão bom quanto o concorrente. Chris Cohen é fantástico, o diretor do clipe. Ele é brilhante. Não daria
o prêmio para nós, mas é um bom clipe. Não gosto de ganhar prêmios. Acho que sempre tem gente que faz algo melhor. Eu sinto que não mereço. Há quinze dias ganhamos o título de melhor
banda do mundo da revista Q inglesa. Isso é ridículo. Então... prêmio não tem nada a ver.
Metropolitan, Rio de Janeiro, 23.11.1999 TENDER
Alex: O coro é a última coisa. Nunca é muito planejado, às vezes, é como vai surgindo no estúdio. A faixa TENDER tem um coro gospel porque sua estrutura é tipo
hino. Tem muito versos, refrão e coro. Ela fica pedindo pra ser forte. Isso é que é ser um coro gospel. Só dá pra fazer uma vez na vida, senão vira Sting.
Acho que você é cinéfilo. Em
CHARMLESS
MAN, de quem foi a idéia de convidar Jean-Marc Barr? Damon: Eu diria que minha outra atividade é fazer filmes, trabalhar na composição. Sempre me interessei por cinema. Sempre gostei
que quando ficar careca é o que vou fazer na vida. E tenho feito muito isso. Tenho uma filha e não curto muito ficar fora de casa. Mas eles acabaram me arrastando para o Rio.
Qual é a sua participação na criação dos clipes?
Damon: Às vezes, é grande. O clipe SONG 2 é totalmente nosso. Já no COFFEE, nosso papel foi permitir um clipe sobre uma embalagem de leite. O que é uma grande participação. Nosso último clipe é
muito interessante. Um cara chamado Thomas Vinterberg, que fez Festa de Família, filmou todos nós dormindo. Esse é o clipe. Muito interessante. Talvez não seja tanto, mas se você é fã do Blur, ver alguém muito conhecido dormindo, deve ser bem interessante. Na
sua própria cama.
Ah, é? Estilo Dogma? Damon: Totalmente. É isso. Dormi na banheira, exausto, e me levaram pra cama. Uma hora, o câmera caiu em cima de mim, e eu não
acordei. Estava dormindo mesmo.
NO DISTANCE LEFT TO RUN
Dave: Estou muito nervoso, não dormi nada ontem.
Graham Coxon: Eu me sinto muito vulnerável. Alex: Não estou nervoso. Damon: Estamos gravando um clipe. Graham: No qual vamos dormir.
Damon: Dormir de verdade, nada da simulação... nem nada... de engraçado. Graham: Vamos dormir mesmo. Damon: A equipe vai usar...
Graham: Estas peças. Damon: Porque vão filmar no escuro. Dave: E ficar nos espiando. Damon: Estou muito ansioso pra
ver porque o meu cabelo fica desse jeito. Dave: É uma coisa muito particular, a gente não sabe como a gente dorme. Alex: Você não tem controle.
Graham: O interessante é que se eu sonhar, hoje, não vou lembrar. Damon: Que horas são? 00:45. Damon: Hora de ir pra cama.
Damon? Bom dia. São 8 horas. Pode falar sobre essa música? Damon: Essa música... é uma música triste. Essa música... é um aviso... é um tipo... de lembrança.
Damon:
SONG 2, da primeira vez, não quiseram lançar. Já era
conhecida. É uma das mais conhecidas dos anos 90. É legal isso, mas eu não saberia fazer de novo, porque nem pensei nisso. Pra gente, foi um feliz acaso.
Damon:
Tem jogo amanhã?
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