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  Folha de S. Paulo _ Invasão britânica # 27 março 1999

Invasão britânica
por Lúcio Ribeiro

Se a frustração amorosa moveu Damon Albarn a construir este 13, novo álbum da banda britânica Blur, viva a dor-de-cotovelo. (Não, eu não vou citar Nick Hornby. Não vou.)

O disco, recém-lançado no Brasil, é considerado por muitos na Inglaterra o melhor trabalho do grupo. Na França brotaram elogios do tipo: "Este é o "Álbum Branco" do Blur".

Com os sentimentos esmigalhados por causa de um pé que levou da bela roqueira Justine Frischmann, líder da banda Elastica, Albarn comprou um bar na Islândia e foi esfriar a cabeça no gelo.

E trouxe 13 para Londres, guindou o eletro-DJ William Orbit para a produção e, com o disco pronto, conseguiu manter o Blur na honrosa situação de uma das bandas inglesas mais bacanas do Reino Unido. (Não, não vou compará-los ao Oasis. Não vou!)

O resultado de 13 é um coquetel pop dos mais inspirados. Abre com um gospel (!) arrasador (TENDER). Tem punk (BUGMAN, B.L.U.R.E.M.I.). Traz baladas que podem prejudicar ainda mais corações já prejudicados (1992, NO DISTANCE LEFT TO RUN). Tem também britpop dos melhores (COFFEE & TV, cantada pelo guitarrista Graham Coxon, e a maravilhosa TRIMM TRABB).

E vem ainda com experimentações eletrônicas que provavelmente darão ótimos remixes, como CARAMEL, a inebriante MELLOW SONG, que também faz ligação direta com o rock americano dos mais sujos, e a legal TRAILERPARK, oferecida ao e recusada pelo desenho "South Park". (Tudo bem, o Blur aparecerá em "Os Simpsons" cantando SONG 2. U-huuuu!)

É extremamente recomendável torrar R$ 18 em 13, para conferir com quantas boas canções são necessárias para dar uma excelente resposta à garota que deixou Damon Albarn na mão.

Folha de S. Paulo _ Show vale pela espontaneidade # 27 março 1999

Show vale pela espontaneidade
por Luciano Vianna e Valéria Rossi

Na semana passada, antes de iniciar a turnê inglesa, o Blur se apresentou para uma platéia de jornalistas, convidados da gravadora EMI e fãs no BBC Hippodrome, no norte de Londres. O evento, transmitido ao vivo pela BBC Radio 1, marcou oficialmente o lançamento de 13.

Ainda pouco familiarizados com as novas composições e nitidamente nervosos por se tratar da primeira apresentação na Inglaterra depois do lançamento oficial de 13, Damon Albarn (vocais) Alex James (baixo), Dave Rowntree (bateria) e Graham Coxon (guitarra) fizeram um show que, se não primou pela técnica, valeu pela espontaneidade.

Como em 13, o single TENDER abriu o espetáculo, com direito à participação do coral da London Community Gospel Choir. Nem as habituais desafinadas de Damon diminuíram a beleza da música.

Apesar de estarem se voltando mais para as composições introspectivas, foram nos poucos híbridos de punk rock do novo disco que os músicos se saíram melhor.

COFFEE & TV, a única música do novo disco cantada pelo guitarrista Graham Coxon, foi um um grande momento. Abusando da estética bonitinho-e-melodioso, a música ganhou um tempero mais dramático graças a inspirada voz rouca de Damon Albarn no refrão.

O Blur apresentou 11 das 13 músicas do novo álbum, mas foi no bis que a banda realmente empolgou o público, com músicas antigas como BETTLEBUM, POPSCENE, SONG 2 e a clássica THERE'S NO OTHER WAY.

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