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  Jornal da Tarde _ Sensação de um CD feito às pressas # 02 junho 2003

Sensação de um CD feito às pressas

THINK TANK é um disco irregular. A primeira impressão é que foi feito meio às pressas, juntando canções bem arranjadas com rascunhos de apenas um refrão. OUT OF TIME é um exemplo do lado bom do disco, com seu arranjo com clima de 'O Clone' – a música contou até com a participação de uma orquestra marroquina tocando exóticos instrumentos.

Já WE'VE GOT A FILE ON YOU, apesar de empolgar com sua energia e excitação, soa como um sub-Clash lutando para juntar retalhos de sons de guitarra e costurar uma melodia.

O maior problema do disco é a ausência do guitarrista Graham Coxon. Sem ele, o som do Blur fica incompleto, longe de obras-primas como COUNTRY HOUSE, de GREAT ESCAPE e SONG 2, de BLUR. O próprio Damon Albarn gravou a guitarra em algumas faixas, mas na primeira audição dá para ver que ele não sabe tocar direito, mesmo por trás da estética 'é legal ser tosco'. É só ouvir BATTERY IN YOUR LEG para ver a diferença entre um guitarrista e alguém que pretende tocar guitarra.

Damon, aliás, também é a cabeça por trás de um projeto paralelo que quase engoliu o Blur: o Gorillaz, pop bubblegum formado em 2001 por músicos que se 'escondem' atrás de personagens de animação inspirados num inexistente gibi de world music.

Dave Rowntree: Para falar a verdade, o sucesso comercial do Gorillaz foi bom, porque conseguimos entrar em mercados que não éramos muito conhecidos, como Estados Unidos e Alemanha.

Mas será que o Gorillaz e seu hip-hop adolescente e eletrônico influenciaram o som do Blur?
Dave: Claro que sim, porque o vocalista do Gorillaz, Damon, é o mesmo do Blur. Seria impossível uma coisa ficar totalmente dissociada da outra. Mas a decisão de mudar o som a cada álbum é uma característica nossa. Não vemos motivos para gravar um disco novo, a não ser que represente um desafio para a banda. Há maneiras mais fáceis de se ganhar dinheiro.

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