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Damon Albarn: Olá, somos o Blur.
Alex James: Olá, sou Alex.
Dave Rowntree: E eu sou Dave.
Damon: Sou Damon.
Graham Coxon: Sou Graham.
POPSCENE
Damon: Começamos em uma escola
pre-universitária ao sul de Londres em 1989.
Graham: Deixamos os estudos
porque era muito difícil estudar de dia e passarmos toda a noite tocando na banda.
Damon: Em seis meses já encabeçávamos as listas de
popularidade. Nossa ascenção foi muito rápida.
SUNDAY SUNDAY
Damon: No começo, tivemos medo de não gostar, portanto tentamos de tudo para
agradar o público. Agora me dou conta de que isso foi um erro. Trabalhávamos tanto que chegávamos
a ficar doentes. Estamos aqui para confundir e deixar-nos confundir com todo esse assunto.
Alex: Somos muito bonitos. Europa, vamos!
GIRLS & BOYS
Damon: Acredito que a forma com
que nos comportamos no palco acrescenta algo ao espetáculo. Às vezes, acontece e o incorporamos.
O nosso é a comédia. Não somos como The Cure. Estava saltando e tinha uma caixa caída. Perdi a
consciência. Não se pode ficar bêbado para entretar o público, como costumávamos fazer.
Mas tem que usar alguns métodos, para que o público não perca o interesse.
END OF A CENTURY
Damon: Quero que vejam os
banheiros portáteis. O truque é rezar pra ser o primeiro a sentar no banheiro. O quê? Me pediram
que fizesse isso. Cale-se! É um banheiro muito limpo. Não é o que eu esperava. Agora nos
apressamos para entrar no camarim.
Alex: "Faça cosquinhas no traseiro com uma pluma".
Como? Alex: Disse que deve "comer
rosquinhas caseiras com espuma". Graham:
É peculiar. Olha os sapatos dele. Só tem um par. Quem usaria sapatos assim?
Alex: Deve ter sido uma troca
que fiz quando estava bêbado.
Damon: Sou obcecado pelas
pessoas que ficam nuas e andam por aí sem roupa. Talvez seja porque isso é o que eu queria fazer.
Me encanta as pessoas que ficam nuas por diversão. Não vai fazer nenhum comentário?
PARKLIFE
Damon: Estamos em desvantagem.
Por não sermos norte-americanos. Se fôssemos, seríamos a banda mais conhecida do mundo. Temos
aprendido a ser Blur ao máximo de nossa capacidade. Culturalmente, agora as pessoas se
identificam mais com Estados Unidos do que com Grã-Bretanha. Talvez mude.
TO THE END
Damon: Há muito otimismo na indústria da música. Temos estado com a banda há
seis anos e não parece. Não é só pelo êxito que temos tido, e sim porque todos compartilhamos
de uma mesma idéia do que podia acontecer.
O show começa em vinte minutos.
Alex: Por que não se levanta e se prepara?
Tem podido agüentar esse ritmo de trabalho tão árduo? Damon:
Mais ou menos. Em seis meses farei as coisas com mais calma. Não vale a pena trabalhar demasiadamente
porque pode se enlouquecer e acabar no manicômio.
COUNTRY HOUSE
Damon:
Estavam me pressionando para que escrevesse algo, assim deixei sair essa pressão escrevendo sobre ela. Em COUNTRY
HOUSE, imagino o que me aconteceria se enlouquecesse. Esteve a ponto de acontecer no ano passado. Não enlouqueci,
mas me sentia muito exausto. Decidimos que a pressão não ia nos vencer.
THIS IS A LOW
Graham:
Com o passar dos anos, os Beatles consolidaram seu estilo. Damon:
Nós também. Somos um exemplo perfeito de indivíduos que acreditam em si mesmos e que vêem as coisas de uma maneira
positiva. Apesar de, provavelmente, sermos uns idiotas de classe média.
Graham:
É isso! Damon: O que foi que disse?
Graham: É isso tudo! Damon: Nos vemos logo...
Dave: Na MTV. Adeus.
Que tal os contos de Pritchard, como Imortality?
Damon: Pritchard é legal. É o avô deles todos. Milan Kundera. Isso é bem diferente. Leio esse tipo de
coisa quando preciso sentir-me contente em relação ao mundo.
Sentiu-se assim, ou descobriu-se, se preferir, entre
LEISURE e MODERN LIFE? O que aconteceu então? Damon: Bem, muita coisa aconteceu.
Tivemos a primeira crise e a segunda foi agora. A primeira foi na época. Fomos aos EUA e fomos muito mal-recebidos. Nosso
primeiro empresário roubou todo o nosso dinheiro. Não era muito, mas ficamos endividados depois disso. Nossa gravadora não estava
interessada no nosso trabalho. Tudo isso nos tornou uns rejeitados ridículos. Bebíamos demais no palco
e toda essa besteira. Isso nos forçou a fazer algo. Acho que rendemos mais quando precisamos provar algo. Se todos nos bajulam,
fica difícil.
Fica irritado quando dizem que vocês estão ridicularizando a classe trabalhadora?
Damon: Sim, pois jamais escrevi sobre pessoas que moram em bairros pobres. Escrevi sobre pessoas
que moram em mansões, que usam carros de suas firmas.
E que têm problemas sérios.
Damon: Sim, só escrevi sobre isso. São essas pessoas que eu conheço. Nada sei sobre pessoas
morando em conjuntos habitacionais, etc.
E sobre você estar namorando a vocalista de outra banda de sucesso? Você tenta evitar
situações, como ser fotografado com ela ao sair para um drinque, ou algo assim? Isso o incomoda? Damon:
Nunca fomos fotografados juntos. Vivemos uma vida simples. Acho que, se déssemos muita importância
a isso, as pessoas poderiam vomitar ao nos ver, porque há um limite para o quanto as pessoas agüentam a boa sorte alheia. Acho que tive
sorte.
Você achou irônico que o Elastica conseguisse sucesso no EUA antes do Blur? Damon:
Foi estranho. Não foi como a coisa Oasis versus Blur. Não foi nada disso. Não, porque estávamos juntos. Ela está tão triste quanto eu. Nós nos
preocupamos com a música um do outro, e, ela é boa em algumas coisas, e eu sou melhor em outras.
Tentamos juntar tudo. Aqueles discos e aquelas idéias não surgiram independentemente. Elas vêm do
mesmo lugar. Vivemos juntos há seis anos. É uma coisa nossa. O Elastica e o Blur são relacionados de diversas maneiras.
COUNTRY HOUSE
Você fica irritado com bandas, e veja
que eu não estou especificando nenhuma, que fazem letras fáceis sem muito sentido? Damon:
Acho que está falando sobre o Oasis.
Pode ser. Damon: Acho que
isso funciona devido a Liam. Qualquer coisa que ele cante convence.
Devido à sua atitude.
Damon: Sempre me senti assim em relação ao Oasis. Não são
as músicas e sim sua atitude. Sem a banda, quem pode saber?
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Damon Albarn: Boa noite. Sou Damon do Blur e vou apresentar algumas das
melhores bandas da Grã-Bretanha, que tocarão ao vivo no nosso estúdio.
Na primavera de 1992, o Blur embarcou para uma segunda turnê americana.
Estivemos lá no outono anterior e fomos bem recebidos. Mas da segunda vez foi
diferente. Só se falava em Nirvana, Nirvana. A américa encontrara uma voz e um
rosto capazes de expressar suas ansiedades e auto-aversões. Um rosto angelical
em meio a shoppings centers.
A América sentiu isso e o mundo tinha de sentir o mesmo. Resumindo, se sua
banda não fosse o Nirvana, não era nada. Bem, acho que isso mudou. As bandas
britânicas não têm mais vergonha de cantar suas origens. Elas encontraram sua
voz.
A partir de agora, delicie-se com um dos melhores sons do mundo: o novo pop
britânico. Elastica, Pulp, The Boo Radley, PJ Harvey e muito mais. São treze
bandas e começaremos com algo nosso que gravamos aqui mesmo na BBC. Chama-se
COUNTRY HOUSE.
COUNTRY HOUSE
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