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  MTV _ Blurografia # 1995


Damon Albarn: Olá, somos o Blur.
Alex James: Olá, sou Alex.
Dave Rowntree: E eu sou Dave.
Damon: Sou Damon.
Graham Coxon: Sou Graham.

POPSCENE

Damon: Começamos em uma escola pre-universitária ao sul de Londres em 1989.
Graham: Deixamos os estudos porque era muito difícil estudar de dia e passarmos toda a noite tocando na banda.
Damon: Em seis meses já encabeçávamos as listas de popularidade. Nossa ascenção foi muito rápida.

SUNDAY SUNDAY

Damon: No começo, tivemos medo de não gostar, portanto tentamos de tudo para agradar o público. Agora me dou conta de que isso foi um erro. Trabalhávamos tanto que chegávamos a ficar doentes. Estamos aqui para confundir e deixar-nos confundir com todo esse assunto.
Alex: Somos muito bonitos. Europa, vamos!

GIRLS & BOYS

Damon: Acredito que a forma com que nos comportamos no palco acrescenta algo ao espetáculo. Às vezes, acontece e o incorporamos. O nosso é a comédia. Não somos como The Cure. Estava saltando e tinha uma caixa caída. Perdi a consciência. Não se pode ficar bêbado para entretar o público, como costumávamos fazer. Mas tem que usar alguns métodos, para que o público não perca o interesse.

END OF A CENTURY

Damon: Quero que vejam os banheiros portáteis. O truque é rezar pra ser o primeiro a sentar no banheiro. O quê? Me pediram que fizesse isso. Cale-se! É um banheiro muito limpo. Não é o que eu esperava. Agora nos apressamos para entrar no camarim.
Alex: "Faça cosquinhas no traseiro com uma pluma".

Como?
Alex:
Disse que deve "comer rosquinhas caseiras com espuma".
Graham: É peculiar. Olha os sapatos dele. Só tem um par. Quem usaria sapatos assim?
Alex: Deve ter sido uma troca que fiz quando estava bêbado.

Damon: Sou obcecado pelas pessoas que ficam nuas e andam por aí sem roupa. Talvez seja porque isso é o que eu queria fazer. Me encanta as pessoas que ficam nuas por diversão. Não vai fazer nenhum comentário?

PARKLIFE

Damon: Estamos em desvantagem. Por não sermos norte-americanos. Se fôssemos, seríamos a banda mais conhecida do mundo. Temos aprendido a ser Blur ao máximo de nossa capacidade. Culturalmente, agora as pessoas se identificam mais com Estados Unidos do que com Grã-Bretanha. Talvez mude.

TO THE END

Damon: Há muito otimismo na indústria da música. Temos estado com a banda há seis anos e não parece. Não é só pelo êxito que temos tido, e sim porque todos compartilhamos de uma mesma idéia do que podia acontecer.

O show começa em vinte minutos.
Alex: Por que não se levanta e se prepara?

Tem podido agüentar esse ritmo de trabalho tão árduo?
Damon:
Mais ou menos. Em seis meses farei as coisas com mais calma. Não vale a pena trabalhar demasiadamente porque pode se enlouquecer e acabar no manicômio.

COUNTRY HOUSE

Damon:
Estavam me pressionando para que escrevesse algo, assim deixei sair essa pressão escrevendo sobre ela. Em COUNTRY HOUSE, imagino o que me aconteceria se enlouquecesse. Esteve a ponto de acontecer no ano passado. Não enlouqueci, mas me sentia muito exausto. Decidimos que a pressão não ia nos vencer.

THIS IS A LOW

Graham: Com o passar dos anos, os Beatles consolidaram seu estilo.
Damon: Nós também. Somos um exemplo perfeito de indivíduos que acreditam em si mesmos e que vêem as coisas de uma maneira positiva. Apesar de, provavelmente, sermos uns idiotas de classe média.

Graham: É isso!
Damon: O que foi que disse?
Graham: É isso tudo!
Damon: Nos vemos logo...
Dave: Na MTV. Adeus.

Que tal os contos de Pritchard, como Imortality?
Damon: Pritchard é legal. É o avô deles todos. Milan Kundera. Isso é bem diferente. Leio esse tipo de coisa quando preciso sentir-me contente em relação ao mundo.

Sentiu-se assim, ou descobriu-se, se preferir, entre LEISURE e MODERN LIFE? O que aconteceu então?
Damon:
Bem, muita coisa aconteceu. Tivemos a primeira crise e a segunda foi agora. A primeira foi na época. Fomos aos EUA e fomos muito mal-recebidos. Nosso primeiro empresário roubou todo o nosso dinheiro. Não era muito, mas ficamos endividados depois disso. Nossa gravadora não estava interessada no nosso trabalho. Tudo isso nos tornou uns rejeitados ridículos. Bebíamos demais no palco e toda essa besteira. Isso nos forçou a fazer algo. Acho que rendemos mais quando precisamos provar algo. Se todos nos bajulam, fica difícil.

Fica irritado quando dizem que vocês estão ridicularizando a classe trabalhadora?
Damon: Sim, pois jamais escrevi sobre pessoas que moram em bairros pobres. Escrevi sobre pessoas que moram em mansões, que usam carros de suas firmas.

E que têm problemas sérios.
Damon: Sim, só escrevi sobre isso. São essas pessoas que eu conheço. Nada sei sobre pessoas morando em conjuntos habitacionais, etc.

E sobre você estar namorando a vocalista de outra banda de sucesso? Você tenta evitar situações, como ser fotografado com ela ao sair para um drinque, ou algo assim? Isso o incomoda?
Damon:
Nunca fomos fotografados juntos. Vivemos uma vida simples. Acho que, se déssemos muita importância a isso, as pessoas poderiam vomitar ao nos ver, porque há um limite para o quanto as pessoas agüentam a boa sorte alheia. Acho que tive sorte.

Você achou irônico que o Elastica conseguisse sucesso no EUA antes do Blur?
Damon:
Foi estranho. Não foi como a coisa Oasis versus Blur. Não foi nada disso. Não, porque estávamos juntos. Ela está tão triste quanto eu. Nós nos preocupamos com a música um do outro, e, ela é boa em algumas coisas, e eu sou melhor em outras. Tentamos juntar tudo. Aqueles discos e aquelas idéias não surgiram independentemente. Elas vêm do mesmo lugar. Vivemos juntos há seis anos. É uma coisa nossa. O Elastica e o Blur são relacionados de diversas maneiras.

COUNTRY HOUSE

Você fica irritado com bandas, e veja que eu não estou especificando nenhuma, que fazem letras fáceis sem muito sentido?
Damon:
Acho que está falando sobre o Oasis.

Pode ser.
Damon:
Acho que isso funciona devido a Liam. Qualquer coisa que ele cante convence.

Devido à sua atitude.
Damon: Sempre me senti assim em relação ao Oasis. Não são as músicas e sim sua atitude. Sem a banda, quem pode saber?

Multishow _ Brit Pop Now # 1995

Damon Albarn: Boa noite. Sou Damon do Blur e vou apresentar algumas das melhores bandas da Grã-Bretanha, que tocarão ao vivo no nosso estúdio.

Na primavera de 1992, o Blur embarcou para uma segunda turnê americana. Estivemos lá no outono anterior e fomos bem recebidos. Mas da segunda vez foi diferente. Só se falava em Nirvana, Nirvana. A américa encontrara uma voz e um rosto capazes de expressar suas ansiedades e auto-aversões. Um rosto angelical em meio a shoppings centers.

A América sentiu isso e o mundo tinha de sentir o mesmo. Resumindo, se sua banda não fosse o Nirvana, não era nada. Bem, acho que isso mudou. As bandas britânicas não têm mais vergonha de cantar suas origens. Elas encontraram sua voz.

A partir de agora, delicie-se com um dos melhores sons do mundo: o novo pop britânico. Elastica, Pulp, The Boo Radley, PJ Harvey e muito mais. São treze bandas e começaremos com algo nosso que gravamos aqui mesmo na BBC. Chama-se COUNTRY HOUSE.

COUNTRY HOUSE

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