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  MTV _ Lado B Especial # 1999


Soninha: O Blur esteve no Brasil pela primeira vez há dois finais de semana atrás para um show em São Paulo e outro no Rio de Janeiro. Foi a primeira apresentação deles "ao sul dos Estados Unidos", como eles disseram. Engraçado tomar os Estados Unidos como referência, mas é claro que eles estavam se referindo ao continente americano. E ficaram muito à vontade por aqui. No show em São Paulo, comemoraram o aniversário do baixista Alex junto com a platéia. O Damon Albarn confessou os seus problemas com a tequila. Ainda estava se recuperando de uma ressaca, de um porre mal curado. E foram duas grandes apresentações.

Por ser uma ótima ocasião pra gente fazer um Lado B especial com o Blur, a gente vai mostrar a passagem de som e trechos dos shows de São Paulo. Entrevista com eles em São Paulo e também no Rio de Janeiro. Falam sobre várias coisas, falam sobre a briga com o Mogwai, falam sobre a vida noturna em Reikjavik. E a gente aproveita para estrear também o clipe novo do Blur, o terceiro do álbum 13, NO WAY LEFT TO RUN. E o tempo que falta pra atender aos milhares de pedidos de clipes do Blur que a gente gosta muito de ver e que não estão sempre por aqui. Então, com vocês, Blur especial no Lado B.

A expectativa


Dave: México foi uma surpresa. A gente nunca tinha tocado ao sul dos EUA antes. Ficamos surpresos com a reação do público mexicano. Esperamos que seja a mesma aqui.

Britpop?

Dave: Britpop é só uma palavra como "wheelbarrow". Somos uma banda, e uma banda não pode se resumir à uma única palavra. Na verdade, somos uma banda "wheelbarrow". O Blur é "wheelbarrow". É oficial.

Damon: Sempre tem sons novos. Bandas, no sentido convencional e tradicional da palavra, como a nossa, não estão em evidência. A banda é uma combinação de personalidades. De outra forma, seria só músicos fazendo música. Uma banda é mais do que isso. Ela representa uma gangue, e uma gangue precisa ter uma identidade. Talvez a gente ainda esteja ficando velho.
Alex: Estamos, com certeza.

THE UNIVERSAL

Damon:
Eu acho que a nossa geração se rendeu ao marketing.
Alex: Me ofereceram muito dinheiro pra fazer um comercial pro Burger King. Eu recusei. O exército americano queria usar uma música nossa pra lançar o seu novo bombardeiro Stealth. E nós recusamos. A rádio americana está a serviço dos anunciantes.

Damon:
Eles tocam os seus discos, e, depois, um anúncio da Coca.
Alex: É uma grande fonte de dinheiro pra muitas bandas. Eles ganham mais dinheiro cedendo músicas pra comerciais do que tendo suas músicas tocadas nas rádios. É um assunto que a gente entende.

Damon:
Eu acho que os músicos americanos se interessam pela música inglesa. Mas o grande público não liga. Somos uma influência, não um grande campeão de vendas.
Alex: Você definiu bem.
Damon: Eu odeio os EUA.

COFFEE & TV

A cena britânica

Damon: Nenhuma banda em particular. Eu me empolgo com música underground. Eu não gosto de música feita com guitarras. É muito chata. Com excessão de bandas como Super Furry Animals não vejo porque me empolgar com guitar bands inglesas.

Dave: Acabei de passar um mês na Austrália e ouvi muitas bandas de lá. Não sei o que está rolando na Inglaterra. Mogwai é minha banda favorita. Gosto de suas camisetas. Eles têm boas camisetas. Eles acabaram de lançar um álbum, e em vez de falar do álbum, decidiram falar da gente. Isso é fantástico. A gente devia pagá-los, né? Ou mandar um cheque. Eu fiquei muito feliz.

Trilha do filme 101 Reikjavik

Damon: Esse filme é basicamente sobre a vida noturna de Reikjavik, na Islândia.

Tem vida noturna lá?
Damon e Alex: Oh, sim.

Soube que você tem um bar lá.
Damon:
Fizemos algumas cenas neste bar. A Islândia é uma experiência existencial. Há 250 mil pessoas na ilha toda. É como se cada habitante possuísse terra do tamanho da cidade do Rio. Tem muito espaço.

Trabalho com o diretor Thomas Vintemberg

Alex: Eu vi o filme Festa de Família e achei que foi o melhor filme que vi nos últimos tempos. Eles tentaram fazer um novo tipo de cinema, acabar com toda a enganação e chegar à essência de como se faz um filme bom. Eu encontrei alguém que o conhecia e ele nos ofereceu o projeto dizendo que era um filme legal. Foi assim que rolou.

O novo clipe

Damon: Mostra a gente dormindo. Thomas Vintemberg, o diretor, visitou nossas casas e, com câmeras "night vision", filmou a gente dormindo.

Só isso?
Damon:
É. A gente dorme o tempo todo.
Alex: É uma música de ninar.
Damon: Tenho orgulho deste clipe. Não há outro igual. Este é o primeiro.

NO DISTANCE LEFT TO RUN

Dave:
Um pouco nervoso, posso dizer. Não dormi muito essa noite.
Graham: Não sei. Me sinto muito vulnerável.
Alex: Não estou nervoso.
Damon: Vamos fazer um clipe.
Graham: Que nos mostra dormindo.
Damon: Dormindo de verdade, sem simulações. Porque eles vão gravar no escuro.
Dave: Eles vão espiar tudo. Me filmando.
Damon: Estou ansioso pra ver porque meu cabelo acorda desse jeito.
Dave: É além do privado e do íntimo, né? Coisa que nem você sabe.
Alex: Nós não temos controle.
Graham: Seria interessante se eu tivesse um sonho essa noite. Eu nunca lembro.
Damon: Que horas são agora?

São 0h45min.
Damon:
Acho que é hora de dormir.

Damon. Damon, bom dia. Me fale sobre a música.
Damon:
A música é sobre... é... é uma música triste que... é um aviso e um tipo de lembrança.

Passagem de som em São Paulo, 21.11.1999
COFFEE & TV

Alex:
Você grava um álbum, sai em turnê durante um ano pra promovê-lo e as músicas vão ficando cada vez melhores e mais perfeitas. Seria legal gravar o álbum depois da turnê. As músicas tendem a ficar mais rápidas também.

Damon:
Pra mim, este é o álbum que mais gosto de tocar ao vivo porque ele tem mais espaço, e de certa forma é mais calmo.

Alex:
Quanto mais você faz música, mais seguro fica em relação a deixar espaço. O primeiro álbum parece que tem um milhão de guitarras. O novo só tem uma.

Graham: Não tínhamos nenhum plano, nem músicas prontas, apenas tocávamos e sampleávamos, tipo uma colagem. Enquanto que antes, a gente tinha a música pronta antes de gravar.

Trabalho com William Orbit

Graham: Foi legal. Acho que vamos voltar a trabalhar com ele. Ele é tranqüilo, mas animado. Ele deixa a gente experimentar e gosta de barulhos estranhos e malucos. Ele não manda a gente afinar nossos instrumentos. Ele disse umas coisas legais sobre mim. Então eu sempre digo coisas legais sobre ele. Ele elogiou a minha técnica de guitarra. Isso foi legal. Ele me entende, sacou? Não é em vão.

Passagem de som em São Paulo, 21.11.1999
B.L.U.R.E.M.I.

O show em São Paulo

Damon: O show foi legal, né?
Alex: Com certeza. Há muito tempo que não vejo um público tão enlouquecido. Eles estavam pirando.

Show em São Paulo, 21.11.1999
TENDER
BUGMAN
COFFEE & TV

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