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Soninha: O Blur esteve no Brasil pela primeira vez há dois finais de
semana atrás para um show em São Paulo e outro no Rio de Janeiro. Foi a primeira apresentação
deles "ao sul dos Estados Unidos", como eles disseram. Engraçado tomar os Estados Unidos
como referência, mas é claro que eles estavam se referindo ao continente americano.
E ficaram muito à vontade por aqui. No show em São Paulo, comemoraram o aniversário do baixista
Alex junto com a platéia. O Damon Albarn confessou os seus problemas com a tequila. Ainda
estava se recuperando de uma ressaca, de um porre mal curado. E foram duas grandes apresentações.
Por ser uma ótima ocasião pra gente fazer um Lado B especial com o Blur, a gente vai mostrar a
passagem de som e trechos dos shows de São Paulo. Entrevista com eles em São Paulo e também no
Rio de Janeiro. Falam sobre várias coisas, falam sobre a briga com o Mogwai, falam sobre a vida
noturna em Reikjavik. E a gente aproveita para estrear também o clipe
novo do Blur, o terceiro do álbum 13, NO WAY LEFT TO RUN.
E o tempo que falta pra atender aos milhares de pedidos de clipes do Blur que a gente gosta muito de ver e
que não estão sempre por aqui. Então, com vocês, Blur especial no Lado B.
A expectativa
Dave: México foi uma surpresa.
A gente nunca tinha tocado ao sul dos EUA antes. Ficamos surpresos com a reação do público
mexicano. Esperamos que seja a mesma aqui.
Britpop?
Dave: Britpop é só uma palavra como "wheelbarrow". Somos uma
banda, e uma banda não pode se resumir à uma única palavra. Na verdade, somos uma banda "wheelbarrow".
O Blur é "wheelbarrow". É oficial.
Damon:
Sempre tem sons novos. Bandas, no sentido convencional e tradicional da palavra, como a nossa, não estão em evidência.
A banda é uma combinação de personalidades. De outra forma, seria só músicos fazendo música.
Uma banda é mais do que isso. Ela representa uma gangue, e uma gangue precisa ter uma identidade.
Talvez a gente ainda esteja ficando velho. Alex: Estamos, com certeza.
THE UNIVERSAL
Damon:
Eu acho que a nossa geração se rendeu ao marketing. Alex: Me
ofereceram muito dinheiro pra fazer um comercial pro Burger King. Eu recusei. O exército americano queria usar uma
música nossa pra lançar o seu novo bombardeiro Stealth. E nós recusamos. A rádio americana está a serviço dos anunciantes.
Damon: Eles tocam os seus discos, e, depois, um anúncio da Coca.
Alex: É uma grande fonte de dinheiro pra muitas bandas. Eles ganham mais
dinheiro cedendo músicas pra comerciais do que tendo suas músicas tocadas nas rádios. É um
assunto que a gente entende.
Damon: Eu acho que os músicos
americanos se interessam pela música inglesa. Mas o grande público não liga. Somos uma influência, não um grande campeão de
vendas. Alex: Você definiu bem.
Damon: Eu odeio os EUA.
COFFEE & TV
A cena britânica
Damon: Nenhuma banda em particular. Eu me empolgo com música underground.
Eu não gosto de música feita com guitarras. É muito chata. Com excessão de bandas como Super Furry Animals não vejo porque me empolgar
com guitar bands inglesas.
Dave:
Acabei de passar um mês na Austrália e ouvi muitas bandas de lá. Não sei o que está rolando na Inglaterra. Mogwai é
minha banda favorita. Gosto de suas camisetas. Eles têm boas camisetas. Eles acabaram de lançar um álbum, e em vez de falar do álbum,
decidiram falar da gente. Isso é fantástico. A gente devia pagá-los, né? Ou mandar um cheque. Eu
fiquei muito feliz.
Trilha do filme 101 Reikjavik
Damon:
Esse filme é basicamente sobre a vida noturna de Reikjavik, na Islândia.
Tem vida noturna lá?
Damon e Alex:
Oh, sim.
Soube que você tem um bar lá. Damon: Fizemos algumas cenas neste
bar. A Islândia é uma experiência existencial. Há 250 mil pessoas na ilha toda. É como se cada habitante possuísse terra do tamanho da cidade do Rio.
Tem muito espaço.
Trabalho com o diretor Thomas
Vintemberg
Alex: Eu vi o filme Festa de Família e achei que foi o
melhor filme que vi nos últimos tempos. Eles tentaram fazer um novo tipo de cinema, acabar com toda a enganação e chegar à essência de como
se faz um filme bom. Eu encontrei alguém que o conhecia e ele nos ofereceu o projeto dizendo que era um filme legal. Foi assim que rolou.
O novo clipe
Damon: Mostra a gente dormindo. Thomas Vintemberg, o diretor,
visitou nossas casas e, com câmeras "night vision", filmou a gente dormindo.
Só isso?
Damon: É. A gente dorme o tempo todo. Alex: É uma música de ninar.
Damon: Tenho orgulho deste clipe. Não há outro igual. Este é o primeiro.
NO DISTANCE LEFT TO RUN
Dave: Um pouco nervoso, posso dizer. Não dormi muito essa noite.
Graham: Não sei. Me sinto muito vulnerável. Alex: Não estou nervoso.
Damon: Vamos fazer um clipe. Graham: Que nos mostra dormindo.
Damon: Dormindo de verdade, sem simulações. Porque eles vão gravar no escuro.
Dave: Eles vão espiar tudo. Me filmando. Damon: Estou ansioso pra ver
porque meu cabelo acorda desse jeito. Dave: É além do privado e do íntimo, né? Coisa que nem você sabe.
Alex: Nós não temos controle. Graham: Seria interessante se eu
tivesse um sonho essa noite. Eu nunca lembro. Damon: Que horas são agora?
São 0h45min. Damon: Acho que é hora de dormir.
Damon. Damon, bom dia. Me fale sobre a música. Damon: A música é sobre... é...
é uma música triste que... é um aviso e um tipo de lembrança.
Passagem de som em São Paulo, 21.11.1999 COFFEE & TV
Alex: Você grava um álbum, sai em turnê durante um ano pra promovê-lo e as
músicas vão ficando cada vez melhores e mais perfeitas. Seria legal gravar o álbum depois da
turnê. As músicas tendem a ficar mais rápidas também.
Damon: Pra mim, este é o álbum que mais gosto de tocar ao vivo porque ele tem mais
espaço, e de certa forma é mais calmo.
Alex: Quanto mais você faz música,
mais seguro fica em relação a deixar espaço. O primeiro álbum parece que tem um milhão de
guitarras. O novo só tem uma.
Graham: Não tínhamos nenhum
plano, nem músicas prontas, apenas tocávamos e sampleávamos, tipo uma colagem. Enquanto que antes, a gente tinha a música pronta antes de
gravar.
Trabalho com William Orbit
Graham:
Foi legal. Acho que vamos voltar a trabalhar com ele. Ele é tranqüilo, mas animado. Ele deixa a gente experimentar e
gosta de barulhos estranhos e malucos. Ele não manda a gente afinar nossos instrumentos. Ele
disse umas coisas legais sobre mim. Então eu sempre digo coisas legais sobre ele. Ele elogiou
a minha técnica de guitarra. Isso foi legal. Ele me entende, sacou? Não é em vão.
Passagem de
som em São Paulo, 21.11.1999
B.L.U.R.E.M.I.
O show em São Paulo
Damon: O show foi legal, né? Alex: Com certeza. Há muito
tempo que não vejo um público tão enlouquecido. Eles estavam pirando.
Show em São Paulo, 21.11.1999
TENDER BUGMAN COFFEE & TV
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