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Showbizz _ Só love, só love # 1999
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SÓ LOVE, SÓ LOVE
Os tempos de abuso de álcool, turnês alucinadas e quebra-paus com o Oasis acabaram para o Blur; o grupo promete fazer, daqui pra frente, só canções de amor
Nos Estados Unidos a banda inglesa Blur - uma das mais bem-sucedidas da década, ao lado do Oasis - é conhecida como "os caras do 'u-hu'", tudo por causa da música SONG 2 (em que uma base distorcida fica atrás da letra, que diz exatamente isso). A canção foi tão bem-sucedida que a banda não quis vendê-la para o comercial do avião bombardeiro americano Stealth, aquele que é invisível a radares. O dinheiro não interessava mais a Damon Albarn (voz e teclados), Graham Coxon (guitarra), Alex James (baixo) e Dave Rowntree (bateria). Quase três anos depois do "u-hu", o quarteto lança o disco 13 e promete sossegar.
"O disco é basicamente a história da separação de Damon", conta Coxon. Ao contrário da fúria anterior - embora pleno de sons esquisitos, cortesia do produtor William Orbit -, 13 é mais melódico e introspectivo. Isso não significa, para os rapazes, que as vendas possam cair. "Sempre dizem que nossos discos não são muito comerciais. Disseram isso sobre o último disco, e foi o nosso maior hit de vendas (risos)", diz Alex James. Ele lembra que, na época das gravações, o álbum anterior "soava realmente bizarro, uma mudança de direção em nosso modo de tocar, mas hoje em dia soa terrivelmente normal e corriqueiro". Como sempre, os quatro concordam que este é o melhor disco do Blur até agora. A banda não pretende sair em turnê desta vez. "Temos feito isso pelos últimos dez anos e estamos ficando velhos. Se sairmos em turnê agora, provavelmente um de nós vai acabar morto (risos)", diz o baixista. Mas é possível que a tristeza de Damon com a separação não tenha ainda acabado, mesmo após a gravação de um disco inteiro sobre o assunto. Você está bem, Damon? "Sim. Sim, sim, sim, sim. Estou tocando a vida, totalmente", diz ele. "Mas você não pode viver com alguém e ter uma carreira tão interativa sem que isso... bem, a história te segue aonde você for", diz o sofredor. Antes de começar a gravar, a banda não tinha nenhuma composição pronta ou mesmo idéia do que viria, até que as lágrimas do cantor resolveram o problema. "A tendência é que as coisas cresçam muito dentro do estúdio, diz Alex. "Este trabalho é tipo um diário emocional da separação de Damon
(da cantora Justine Frischmann, do Elastica). Ele nunca tinha cantado sobre como se sentia e por isso foi um grande passo para ele e para a banda", completa o baixista, em um tom que não se consegue concluir se ele está respeitando ou ironizando a dor do colega.
"É a primeira vez que passo por uma separação séria", revela Damon, que tenta tirar uma lição positiva da história. "Hoje eu sinto a música de maneira muito mais completa", filosofa ele. De fato, não há como ouvir a maioria das canções de 13 sem compartilhar da sensação de perda do rapaz.
Mudando de assunto, a banda concorda que o britpop, movimento que os revelou para a Inglaterra (assim como ao Oasis e outras bandas) para o mundo, morreu.
Damon Albarn: Completamente. Quando fizemos MODERN LIFE IS RUBBISH, não foi de jeito algum uma celebração de sermos
ingleses. Foi uma visão muito cínica e crítica sobre a cultura britânica naquela época. A cena inglesa ficou tão odiosa que no álbum seguinte nós tentamos nos remover totalmente desse
cenário.
Alex chega a dizer que, na verdade, a banda nunca se viu como parte do britpop.
"Fazemos a nossa própria música, não temos causa comum com nenhuma outra
banda", acha ele. A tal rivalidade com o Oasis, hoje, é parte do passado para o Blur. "Não acho que Noel Gallagher e nós vamos em nenhum momento ser grandes amigos, mas ele tem sido mais legal ultimamente. Eles são bons garotos, na verdade", diz Alex, o responsável pelas piadinhas da banda.
Damon: Talvez a separação de Justine tenha servido exatamente para isso. Consegui encontrar minha verdadeira
música.
[foto da matéria]
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