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G1 _ The Good, the Bad & the Queen é o
show do mentor do Gorillaz # 09 janeiro 2007 |
THE GOOD, THE BAD & THE QUEEN É O SHOW DO MENTOR DO GORILLAZ
Projeto de Damon Albarn conta com três nomes conhecidos do pop. Disco, no
entanto, não aproveita característica dos músicos
Por Shin Oliva Suzuki
Muita gente desenvolveu uma certa intolerância a metáforas futebolísticas depois
que Lula assumiu a Presidência, mas às vezes é irresistível. Os antenados no
mundo pop sabem a essa altura que The Good, the Bad & the Queen é o nome do
grupo liderado por Damon Albarn (Blur e Gorillaz) e formado por Paul Simonon
(ex-baixista do Clash), Simon Tong (ex-The Verve) e Tony Allen (o fundamental
baterista do rei do afrobeat, Fela Kuti), com a produção de Danger Mouse (Gnarls
Barkley). Ou seja, como no futebol, é aquela história do time dos sonhos que se
espera algo fora do comum, que jogue bonito e faça história.
O problema nessas situações acaba sendo o excesso de expectativas. Logo que
foram anunciados os seus integrantes e o nome provisório The Good, the Bad & the
Queen, começou-se a imaginar a cena: o baixo raivoso de Simonon fazendo jogo com
os grooves hipnóticos de Tony Allen, sob a sensibilidade pop de Albarn,
acompanhado pelos dedilhados viajantes que Tong empregava no Verve.
Mas, claro, juntar personalidades musicais não é 2+2. Ainda mais quando Damon,
cacifado pelo sucesso do Gorillaz e sempre lembrado pelo que fez no Blur, é o
dono da bola e manda no show. Uma de suas idéias foi a de usar o projeto para
retomar os comentários sociais sobre a vida inglesa - como feito em PARKLIFE
(1994) do Blur - e, debaixo desse conceito, definir a atmosfera do disco.
O resultado é coeso. Ao longo das 13 músicas, há um clima meio cinzento e
chuvoso, uma das marcas do tempo inglês, e poucos sobressaltos no caminho. A
frase "Nós vimos os verdes campos / se transformarem em pedra / lares tão
solitários / tudo em um sonho de um homem mau", de GREEB FIELDS, é o tipo de
cenário que Albarn oferece, musicado com um violão triste.
Atmosfera semelhante apresenta a faixa de abertura, HISTORY SONG: "Um barco
através do estuário / o domingo está perdido / em melancolia", em tom definido
pelo piano e pelo órgão. Já NORTHERN WHALE começa com um teclado bubblegum e um
baixo pulsante, mas a música anda sem atingir um clímax.
Até que, em certo ponto, o ouvinte se esquece da idéia do "supertime": a
atmosfera imposta pelo seu líder vence o conjunto. Isso não significa que o
disco tenha desaguado em algo ruim; ao entrar no conceito que propõe Albarn,
descobre-se belas passagens e canções bem construídas segundo padrões pop. Mas
não sai a impressão que, com um potencial desse, algo foi desperdiçado.
THE GOOD, THE BAD & THE QUEEN: nota 7,0
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