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O Estado de S. Paulo _ Oasis faz duas apresentações no Brasil em março # 05 fevereiro 1998 |
OASIS FAZ DUAS APRESENTAÇÕES NO BRASIL EM MARÇO
Noel Gallagher diz que, se seu irmão Liam estiver afinado, fãs brasileiros verão um show impecável
por Alex Lowell
NOVA YORK - Noel Gallagher, o líder do Oasis, é famoso por detestar entrevistas. Mas, sentado na beira do palco do Hammerstein Ballroom enquanto fuma um
cigarro atrás do outro, ele recebe a reportagem do Estado. Simpático e franco, mostra um senso de humor sarcástico. A controvérsia anda de mãos dadas com o sucesso do Oasis e suas declarações arrogantes e bombásticas.
Irreverente, Gallagher garante que a ínica filosofia de sua banda é "não ser preso num país que tenha alfabeto diferente". Humildade não é o seu forte. "Somos melhores que os Beatles", disseram certa vez. O grupo é ao mesmo tempo o sonho e o pesadelo de qualquer relações públicas: qualquer declaração dos irmãos Gallagher, Noel e Liam, vira notícia.
Irmãos briguentos
As brigas dos dois também são famosas e já provocaram o cancelamente de shows e turnês. A imagem que fãs e críticos fazem de Noel e Liam é a de uma dupla esquentada.
O grupo deve apresentar-se no Brasil em março. A banda não tem a menor intenção de passear no Rio, como fez o U2.
Noel Gallagher: Não sou do tipo turista.
Estive no mundo inteiro e não vi nada; acho que vamos apenas a alguns clubes e conhecer algumas
pessoas.
Cinqüenta pessoas acompanham o grupo em suas viagens.
Noel: Se Liam estiver afinado, o público vai ver o melhor rock do mundo, mas se ele não estiver bem, o público verá o que há de pior; no fim das contas, tudo depende de Liam porque nós quatro somos geralmente
sólidos.
Aparentemente, tudo no Oasis gira em torno do relacionamento dos dois irmãos.
Noel: Não é verdade, mas essa é a idéia que as pessoas têm; se ele não quiser viajar para algum país, simplesmente não vamos, porque não quero que os fãs, ao ver o grupo ao vivo pela primeira vez, não encontrem nossa formação completa no
palco.
O envolvimento de Noel com o Oasis mudou nestes cinco anos de estrada. "Quando começamos queríamos fazer sucesso, ser a melhor banda do mundo, mas agora nós somos e tudo que temos a fazer é nos manter lá em cima", diz, com a sua proverbial falta de modéstia. Para ele, a sensação é semelhante a ressaca que vem depois da festa.
Noel: Não estou enjoado da banda, nem de fazer shows, adoro tocar, mas estou cheio de fazer o papel de astro do
rock. Fomos nós que buscamos a fama e, por isso, temos de ser escandalosos, temos de agir de determinada maneira, ter um certo estilo de vida que tende a ser
aborrecido.
Noel está de bem com a fama.
Noel: Existem empregos bem piores do
que o meu, mas estou meio cansado de ver meu rosto estampado nos jornais e revistas; apesar disso, adoro ser famoso e não há nada de negativo na
fama.
Livro polêmico
A fama, porém, deu-lhe algumas dores de cabeça, entre elas o livro escrito por Chris Hutton, que alega ter sido obrigado a sair do grupo, bem antes de o Oasis ser um sucesso.
Noel: Jamais conheci esse cara, portanto tudo o que ele escreveu sobre mim é pura mentira, tudo aquilo aconteceu muito antes de eu entrar para a
banda. Não culpo essas pessoas que escrevem esse tipo de livro, porque obviamente apareceu algum idiota inescrupuloso e o convenceu de que havia muito dinheiro nessa história; então se Hutton fez tudo isso por dinheiro, tudo bem, mas se fez por outros motivos é realmente
deplorável.
A única coisa séria na vida dos membros do Oasis é a música.
Noel: Fora isso, somos uma trupe de comediantes que toca
guitarra.
Durante as turnês, Gallagher não se arrisca a compor. Suas músicas, de acordo com ele, podem ser interpretadas como autobiográficas. A fama de ser uma pessoa detestável e arrogante, diz ele, não se justifica.
Noel: Não sou assim normalmente, mas certas pessoas têm o hábito de provocar-me, fazendo com que eu aja daquela forma; caso contrário, sou um cara bem
simpático.
Ele diz que ainda lê as críticas, quando tem tempo, mas não esconde seu desagrado com o tratamento que o útimo álbum do grupo recebeu da imprensa.
Noel: Quando lançamos BE HERE NOW, assim que se constatou que o disco não venderia tanto quanto MORNING GLORY, a imprensa acabou com nosso
trabalho.
Ele admite que não estava preparado para isso.
Noel: Quando você lança um disco, está certo de que
esse é seu melhor trabalho.
Mas, de acordo com ele, enquanto os fãs estiverem gostando e comprando discos, tudo vai bem.
Noel Gallagher garante que as pessoas têm inveja dele porque ganha rios de dinheiro e não se sente culpado por isso.
Noel: O público gosta de ver milionários atormentados, de cabeça baixa, mas não sou
assim.
O dinheiro, porém, nunca foi sua motivação.
Noel: No começo, gastei muito com guitarras e roupas, mas também doei boas somas para a
caridade.
Na verdade, ele não sabe mais qual é sua motivação.
Noel: Já ganhei o suficiente para viver com tranqüilidade e sem preocupações; não me preocupo por ter criado a maior banda do mundo; não me incomodo por vender milhões de discos porque faço isso muito
bem.
Afirma sem um pingo de modéstia. No momento, o roqueiro está construindo um estúdio de gravação e não descarta a possibilidade de ter sua gravadora dentro de alguns anos, em que possa
trabalhar com algumas bandas e ensinar o que sabe. Por enquanto, o Oasis não tem planos de voltar ao estúdio.
Gallagher acredita que sua banda vai ficar na estrada por um período maior que os Beatles.
Noel: Eles ficaram juntos por oito anos e existimos há uns cinco, mas não creio que nossas músicas vão durar tanto
quanto as deles.
A admiração pelos Beatles é assumida.
Noel: Conheço Paul McCartney, já encontrei George Harrison, mas nunca vi o baterista (Ringo); o outro morreu,
né?
Noel Gallagher trabalhou com McCartney durante a gravação de um disco para as crianças da Bósnia.
Fama de bad boys
Noel: Trabalhamos numa versão de COME TOGETHER, eu, McCartney e Paul Weller, foi como um sonho, mas eu estava muito bêbado e não me lembro de muita
coisa.
Diz rindo. E faz uma comparação:
Noel: Temos a imagem de bad boys e os Beatles sempre foram aqueles rapazes sorridentes e felizes, mas
sabemos que na realidade eles viviam brigando.
Os Rolling Stones descreveram o grupo como uma "turma que bebe pesado, transa com groupies, usa drogas e é muito boa". Gallagher nega o consumo de drogas,
diz que nenhum integrante do Oasis transa com fãs porque todos estão casados agora, mas admite gostar de festas e de bebidas.
O Oasis também está no meio de uma discussão com as Spice Girls, que encontraram durante uma cerimônia.
Noel: Elas pensaram que nós as ofendemos, mas isso não é verdade; acho que elas são engraçadas e coloridas e a garotada gosta
delas.
Gallagher não vê nada de escandaloso em suas apresentações e atitudes.
Noel: Gosto das músicas das meninas, mas elas não gostam da gente e também não entendo bem o que é esse tal de girl power; vai ver que elas odeiam os
homens.
Noel Gallagher diz que sempre houve mulheres fantásticas no rock, mas diz que não aprecia muito o som de Sarah MacLachlan, Jewel e Fiona Apple, que participaram do festival Lilith Fair.
Segundo ele, poucos reconhecem que sua banda abriu caminho para o sucesso de outros grupos britânicos, como o The Verve e o Radiohead.
Noel: As pessoas têm uma inveja inacreditável do Oasis, mas, quando escrevi a letra de MORNING GLORY e todos pensavam que eu estava maluco, Richard Ashcroft, do The Verve,
gostou.
Conta, acrescentando que o álbum do grupo é um dos melhores que já ouviu.
Noel já trabalhou algumas vezes com o Radiohead.
Noel: Esse grupo é o oposto do Oasis, ele é muito devagar e muito para baixo, enquanto somos otimistas e para
cima.
Já o The Verve, segundo ele, fica num meio-termo.
Noel: Digo que adoro o The Verve há três anos, mas tem gente achando que só falo isso agora para ficar na moda, o que é uma
bobagem.
Vida complicada
O Oasis nasceu na cidade de Manchester, mas assim que a banda começou a fazer sucesso e a ganhar
dinheiro, Noel comprou uma casa em Londres, a primeira de sua vida.
Noel: Eu vivia com amigos, aqui e ali, depois aluguei uma casa, mas era horrível não ter um lugar certo para onde ir quando eu voltava de uma
turnê.
O grupo só volta a Manchester para fazer shows e até mesmo a mãe de Liam e Noel só vê os filhos quando os visita na capital britânica.
A vida familiar de uma banda de rock é complicada. Meg Matthews, mulher de Noel, raramente o acompanha nas turnês. "É aborrecido viajar conosco, porque passamos o dia dando entrevistas e fazendo shows", explica. "Mas é bom ter alguém para quem voltar depois de
viajar numa turnê por dois anos", diz, referindo-se à mulher.
Noel: É ótimo estar casado com a melhor companheira que já tive, alguém com quem posso
rir.
Ele não pensa em ter filhos e
diz que não consegue imaginar-se no papel de pai.
Noel: Eu não seria um bom modelo para uma criança e, além disso, sou meio
irresponsável, Meg cuida de mim o tempo todo e não teria como olhar as crianças
também. Entre cachorros e crianças,
fico com os cachorros, basta alimentá-los uma vez por dia que eles se viram.
Em casa, quando tem algum tempo livre, Noel Gallagher desaba no sofá de controle remoto em punho diante do aparelho de televisão, tendo sempre ao lado uma xícara de chá. Ele não faz nada, não atende o telefone e só se reúne com os amigos nos fins de semana. Quando tem visitas, põe no aparelho de som algum disco de sua coleção.
Noel: Quando me
dizem que esse ou aquele grupo tem um lançamento legal, vou à loja e compro; se for bom mesmo, fico ouvindo a música sem
parar.
Depois de cinco anos na estrada, Noel Gallagher não treme mais antes de subir ao palco.
Noel: Geralmente dou entrevistas até uma hora antes do show, como alguma coisa, brinco com o pessoal nos camarins, tomo alguns
drinques, subo no palco, faço o que tenho de fazer, saio e fico podre.
No fim da entrevista, acrescenta apenas uma frase: "Sou um gênio".
Oasis tocará no Rio no dia 20 de março e em São Paulo
no dia 21
por Lúcio Ribeiro
O grupo britânico Oasis já tem data marcada para tocar no
Brasil. A banda fará duas apresentações no mês de março,
uma no Rio e outra em São Paulo.
No Rio, a banda liderada pelos irmãos Gallagher se
apresentará no Metropolitan. Em São Paulo, Liam e Noel
mostrarão hits como CHAMPAGNE SUPERNOVA no Sambródromo da
capital.
A passagem do Oasis pelo Brasil foi anunciada oficialmente
ontem, no Hilton Airport Hotel, em Miami. Na ocasião, os
integrantes do grupo receberam uma placa comemorativa pela
marca de 500 mil cópias vendidas na América Latina do
álbum BE HERE NOW. Atualmente, o grupo já tem 650 mil
discos vendidos na região.
A respeito de sua passagem pelo Brasil, o vocalista Liam
disse que não tem nada de especial planejado para o show,
mas espera "pegar um bronzeado". "Também gostaríamos de
conhecer Pelé."
Os integrantes do grupo voltaram a desmentir os rumores de
que a banda iria se separar após a turnê atual. Dizem que
a única coisa que querem fazer ao final de BE HERE NOW
LIVE é descansar antes de voltar ao estúdio.
Sobre os preparativos para o quarto disco, os irmãos
Gallagher querem fazer algo novo, sem deixar de lado suas
raízes musicais. "Somos o que somos e o que fazemos é rock
n' roll", disse Liam.
[foto da matéria]
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