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O Estado de S. Paulo _ O rock inspirado do Oasis está de volta # 09 junho 2005

O ROCK INSPIRADO DO OASIS ESTÁ DE VOLTA

Com DON'T BELIEVE THE TRUTH a banda inglesa exorcisa últimos discos e oferece uma das boas novidades do ano
por Jotabê Medeiros

Eis que o Oasis volta a ser notícia com o lançamento de seu sexto álbum de estúdio, DON'T BELIEVE THE TRUTH (Sony-BMG). Houve entusiasmo. A influente publicação inglesa Mojo decretou: "Os reis do rock inglês estão de volta!" Seus novos discos sempre vêm com o desafio de trazer canções tão boas quanto WONDERWALL (que uma enquete recente na Inglaterra elegeu como a maior canção pop rock da História) ou CHAMPAGNE SUPERNOVA.

Nos anos 90, a banda britânica Oasis chegou a experimentar um gostinho daquela popularidade louca dos Beatles. Nos últimos anos, no entanto, o assédio diminuiu, e a crítica tornou-se implacável com seus discos e suas brigas em pubs já nem rendiam manchetes nos tablóides.

Em DON'T BELIEVE THE TRUTH há realmente canções e riffs de guitarra no CD, fortes o suficiente para abalar o quarteirão do rock por uns bons anos, como THE IMPORTANCE OF BEING IDLE e PART OF THE QUEUE. Há nacos de Stones (LYLA) e de Beatles (LET THERE BE LOVE), há evocações de Stone Roses, Small Faces, e - assim como já tinham antecipado uma explosão de brit pop, voltam a fazer a mesma coisa com os olhos e os ouvidos voltados para os anos 60.

Mas há coisas chatinhas também, esquecíveis, no álbum, como a flácida White Moon. Não é um disco memorável, como DEFINITELY MAYBE, de 1994, ou (WHAT'S THE HISTORY) MORNING GLORY?, de 1995. Vinte anos depois, o Oasis hoje às vezes soa como alguns dos seus discípulos, tipo Travis ou Muse - e esses podem, muitas vezes, ser mais eficientes.

Beirando os 40, os irmãos Gallagher (Noel, o mais velho, tem 38 anos) parece ao menos que amadureceram. Há diversos sinais disso. O primeiro é que esse é um disco cujas 11 canções não foram todas compostas por Noel. Ele "só" fez cinco delas. As outras são do irmão, Liam, e dos outros dois integrantes da banda, Andy Bell e Gem Archer. O que parece mais evidente, no entanto, é que os irmãos Gallagher retomaram aquilo que chamamos por aqui de "tesão" pela música. Estão tocando e cantando com vontade, e isso é evidente. A maioria dos críticos acusava falta de sentimento em álbuns recentes, como STANDING ON THE SHOULDER OF GIANTS (2000) e HEATHEN CHEMISTRY (2002). A inspiração voltou.

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