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O Estado de S. Paulo _ Adoráveis encrenqueiros # 15 março 2006

ADORÁVEIS ENCRENQUEIROS

O grupo inglês Oasis faz hoje, no estacionamento do Credicard Hall, o show único no Brasil da turnê DON'T BELIEVE THE TRUTH, disco que levantou a carreira dos turbulentos irmãos Gallagher
por Jotabê Medeiros

Para seus fãs, eles são heróis clássicos do rock and roll. Para seus detratores, são apenas falastrões cujas bocas funcionam mais rápido que seus cérebros.

De novo, pela terceira vez em uma década, estamos diante dessa animalidade do rock inglês, a banda Oasis, que está desde ontem no País para uma única apresentação, hoje, às 21 horas, no estacionamento do Credicard Hall. Foram vendidos todos os 14 mil ingressos e há 1.000 convidados, o que dá um público previsto de 15 mil pessoas.

A abertura é dos meninos do Moptop, uma banda carioca bem bacana com guitarras bem tocadas, um vocalista cool e sem complexo de inferioridade em relação ao rock inglês. Os portões do estacionamento do Credicard Hall serão abertos às 18 horas. A censura é de 14 anos. Não será permitida a entrada de menores de 10 anos (de 10 a 13 anos, podem entrar com pais ou responsáveis).

Encabeçada pelos irmãos Noel (composição, guitarra e voz) e Liam Gallagher (voz), o Oasis é a banda que deu um novo sentido ao triângulo jurídico "calúnia, injúria e difamação". Não é por acaso que seu agente de turnês é identificado pelo nome Noise & Confusion Touring Co Ltd. (Barulho & Confusão Companhia de Turnês Ltda.).

Seu alvo predileto são os grupos concorrentes. "Espero que os integrantes do Blur peguem aids e morram", praguejou Liam. "Eles parecem o Right Said Fred", disse, sobre os escoceses do Franz Ferdinand. Sobre Bono, do U2: "O mundo não vai mudar por causa de alguns músicos bem alimentados falando do mal que aflige todo o mundo".

Banda que nasceu gigante, tendo suas primeira canções (como LIVE FOREVER e WONDERWALL) equiparada às dos Beatles nas listas de "Melhores do Século", o grupo decaiu ao longo dos anos. Sua história recente está marcado pelo infortúnio artístico. Explica-se: em 1997, lançaram o álbum BE HERE NOW (o sucessor dos seus discos-fenômeno, DEFINITELY MAYBE e (WHAT'S THE STORY) MORNING GLORY?). Mas sabem quem estava lá no topo naquele ano? OK COMPUTER, do Radiohead. Quem se lembraria dos outros discos médios que disputavam o Olimpo pop da época?

Bom, mas eles ainda tinham crédito, e voltaram a tentar em 1998, com THE MASTERPLAN; em 2000, com STANDING ON THE SHOULDER OF GIANTS; e em 2002, com HEATHEN CHEMISTRY. Embora fossem discos até razoáveis, não convenciam mais - outras bandas mais novas e entusiasmadas surgiam, e outros hooligans com mais talento para a encrenca foram aparecendo (como o trôpego Pete Doherty, ex-Libertines).

Mais eis que, finalmente, em setembro passado, o Oasis lançou um novo e convincente disco, DON'T BELIEVE THE TRUTH. "Os Reis do Rock britânico estão de volta", sentenciou a revista Mojo. Pelo menos duas canções desse disco são dignas de figurar entre os grandes momentos do rock nessa década: PART OF THE QUEUE e THE IMPORTANCE OF BEING IDLE.

Há restrições, é claro. A crítica do New York Times apontou que os Rolling Stones poderiam perfeitamente acusar o Oasis de plágio pela canção LYLA, que parece saída de uma costela de STREET FIGHTING MAN. "É verdade. Mas, e daí? Todas as grandes canções são parecidas", disse Liam, em entrevista ao Estado.

Além de tudo, DON'T BELIEVE THE TRUTH é um formidável sucesso de público: já vendeu mais de 2 milhões de cópias mundo afora. O baterista que vem com eles merece especial atenção: trata-se de Zak Starkey, o filho de Ringo Starr, o homem sortudo que cuidou da cozinha dos Beatles.

Apesar da fama de excêntricos, o Oasis, que chegaria ontem à tarde a São Paulo, rumando para um hotel no Jardins, não pediu nada muito mirabolante para a produção brasileira. Nos camarins, três caixas de água mineral Evian ou Volvic, duas de Perrier, quatro garrafas de champagne Veuve Clicquot, três caixas de cerveja leve e duas da forte Guinness, mais energéticos, vodca Absolut, refrigerantes, sucos e 10 pacotes de Marlboro Light.

Curioso seria descobrir qual é o integrante da banda que está obrigado a seguir uma dieta rigorosa, só de produtos orgânicos e sem açúcar e derivados de leite. Para esse desventurado, enquanto os outros se refestelam, pepino, espinafre, ovos e abacates orgânicos (um por dia), limão, morangos e couve-de-bruxelas.

REBELDES BEM-COMPORTADOS EM BUENOS AIRES

Show do grupo que estaria "ficando velho" oscilou entre o frenesi e a decepção do público
por Ariel Palacios

A autodenominada "melhor banda de rock inglês", o grupo Oasis, apresentou-se na sexta-feira à noite na capital argentina, pela terceira vez em sua carreira, para um público em sua maioria teenager e de classe média alta. Os músicos do grupo, que fazem de sua pose de rebeldes esnobes e prepotentes sua marca registrada, apresentaram-se no elitista Campo de Pólo, no bairro de Palermo. Comandado pelos turbulentos irmãos Liam e Noel Gallagher, o grupo decepcionou seus fãs ao mostrar comportamento "demasiado certinho".

"Parecia que estavam com pressão baixa", disse ao fim do show Aldo Juárez, estudante de Filosofia. "Foi muito murcho e curto. Durou menos de uma hora e meia e na metade parecia que já queriam ir embora. Não parecia o Oasis." Até a tradicional artilharia pesada de guitarras que caracteriza o Oasis esteve "anoréxica" na ocasião. Nesse cenário de cordas frouxas (com a exceção de momentos como MORNING GLORY e ROCK'N'ROLL STAR, esta última, dedicada ao fã-clube argentino), a bateria de Zak Starkey (o filho de Ringo Starr) pôde brilhar mais do que o costumeiro.

Com sotaque cockney, que demonstra suas origens na classe operária, o grupo subiu ao palco com 47 minutos de atraso, deslanchando com TURN UP THE SUN, um dos hits do novo CD, DON'T BELIEVE THE TRUTH. Do total de 18 canções, 8 pertenciam ao álbum. Vestidos de jeans (são fanáticos consumidores dos Levi's) e camiseta, não trocaram o figurino nem uma vez. As coreografias detalhadas vistas nos recentes shows do U2 e dos Rolling Stones inexistiu no show do Oasis. O único cenário era uma cortina carmesim ao fundo. Alguns críticos argetinos defenderam o minimalismo dos irmãos Gallagher, alegando que "assim se concentram no que importa, as canções".

Os integrantes do Oasis, definidos no passado recente como ultrajantes, arrogantes e mal-comportados ameaçaram interromper o show após a segunda canção, LYLA, ao ver que duas centenas de pessoas (entre as 40 mil presentes) estavam, segundo eles, muito efusivas. "O grupo continuará tocando, mas pedimos que se acalmem um pouco. A idéia é divertir-se, sem que ninguém se machuque." Ao ouvir isso, Carola, uma agitada loira teen que estava próxima do enviado do Estado, disparou, indignada: "Mas o que é isso? Eles estão mais comportados que meus avós! Será que estão ficando velhos?"

O Oasis teve seus momentos de glória ao tocar CHAMPAGNE SUPERNOVA e WONDERWALL. Com DON'T LOOK BACK IN ANGER, o público delirou. A despedida ocorreu com MY GENERATION. Horas antes, em uma monossilábica coletiva à imprensa, os integrantes da banda responderam a quase todas as perguntas com a mesma frase curinga, It's a shit (é uma m....), que o intérprete argentino traduzia em uma versão mais light como "é uma porcaria". Noel foi mais expressivo e comentou que havia deixado as drogas: "Agora gasto dinheiro comprando caramelos para mim e drogas para meu irmão (Liam)."

Sem tirar os óculos escuros, com expressão de tédio supremo, Noel ouviu um jornalista indagar se havia alguma coisa no mundo que o deixasse feliz e o aproximaria de seu público. Respondeu: "Realmente, não." E sobre o que conheciam da Argentina, alguns responderam sem sutilezas: "Nada." Noel mostrou mais conhecimento: "Eeeh... Maradona. E além disso... Maradona, pois é!"

Provável repertório
Em Buenos Aires: clássicos que compareceram no show
01 - TURN UP THE SUN
02 - LYLA
03 - CIGARETTES & ALCOHOL
04 - THE IMPORTANCE OF BEING IDLE
05 - MORNING GLORY
06 - ROCK'N'ROLL STAR
07 - HEY, HEY, MY, MY (Neil Young)
08 - CHAMPAGNE SUPERNOVA
09 - DON'T LOOK BACK IN ANGER
10 - WONDERWALL
11 - I AM THE WALRUS (Beatles)
12 - MY GENERATION (The Who)

Em São Paulo: clássicos que podem aparecer aqui
13 - D'YOU KNOW WHAT I MEAN?
14 - DON'T GO AWAY
15 - STAND BY ME
16 - ALL AROUND THE WORLD
17 - LIVE FOREVER

INGLESES DO OASIS CHEGAM A SÃO PAULO

Banda faz show hoje à noite no Credicard Hall para 15 mil pessoas
por Jotabê Medeiros

Chegaram no início da noite de ontem a São Paulo, no vôo 8921 da Varig, vindos de Santiago, no Chile, os integrantes da banda inglesa Oasis. Pouco mais de 70 fãs os aguardavam no Aeroporto de Cumbica. Todos juntos - Noel e Liam Gallagher, Gem Archer, Andy Bell e o baterista Zak Starkey, filho de Ringo Starr, dos Beatles -, posaram para fotos e deram autógrafos, demonstrando disposição e simpatia. Depois, em duas vans, com um carro da Polícia Militar escoltando, seguiram para um hotel nos Jardins.

O Oasis se apresenta hoje, às 21 horas, no estacionamento do Credicard Hall, na zona sul de São Paulo, para cerca de 15 mil pessoas. Os ingressos estão esgotados desde o dia 28 de fevereiro. A banda já tocou no Brasil em 1998 e 2001.

OASIS TOCA PARA PÚBLICO DEBAIXO DE FORTE CHUVA

Com pontualidade britânica, o Oasis fez o primeiro show internacional no estacionamento do Credicard Hall, para cerca de 15 mil pessoas
por Flavia Guerra

"Chove como em Manchester". Esta foi a melhor definição que o vocalista Liam Gallagher deu para a noite de show da banda. Com pontualidade britânica, o Oasis fez o primeiro show internacional no estacionamento do Credicard Hall, para cerca de 15 mil pessoas, que pularam ao som de TURN UP THE SUN, faixa do elogiado último CD da banda, DON'T BELIEVE THE TRUTH.

A banda inglesa entrou no palco 1 minuto antes do programado. Quem deu mesmo as caras pouco depois de 5 minutos de show foi a forte chuva, que começou a cair quando a banda já tocava a segunda música da noite: LYLA.

O público ficou em boa parte encharcado e os vendedores de capas de chuva puderam exagerar no preço da unidade: R$ 10,00. Mesmo assim, não tomou conhecimento da tempestade e pulou do mesmo jeito. Quem tentava lucrar com a chuva eram os vendedores de capas, que de R$ 3,00 passaram a cobrar R$ 10,00 por uma capa que costuma ser encontrada por R$ 1,00. O som estava um pouco "abafado" e o telão apresentou vários problemas devido a forte chuva. Antes de cantar LIVE FOREVER, Liam fez questão de aplaudir o público, que não arredou o pé.

Em uma apresentação que destoou dos últimos que São Paulo vem recebendo, não se via a mesma histeria nem frescuras que tomaram conta dos shows, como o do U2. Invertendo o costumeiro pedido das produções de bandas internacionais, que permitem serem fotografados até as três primeiras musicas iniciais, o Oasis o faz a partir da quarta canção, pois dizem ficar nervosos no início do show.

O Oasis realizou um show de acordo com o previsto, seguindo à risca a ordem do set list distribuído à imprensa.

Tribo
Os fãs vieram de várias partes do Brasil, como Santa Catarina, Rio de Janeiro, Ribeirão Preto, Curitiba, o que ajudou a banda a se sentir em casa. O Oasis retribuiu e tocou outros hits como MORNING GLORY.

O público, fazia a linha "moderninho", a maioria na faixa dos 20 anos. Quem destoava era Luis Brusco, de 47 anos, que foi "levado" pelo filho Rodrigo, de 12. "Agente não conseguiu comprar ingresso para o U2. Eu estava devendo um show pra ele, então o Oasis veio a calhar", declarou o gráfico, que pagou entrada inteira para ele e para o filho.

"Quando chegamos para comprar já não tinha mais para estudantes, mas valeu a pena pagar a inteira porque o Oasis também é ótimo", disse Rodrigo, que toca guitarra e achou mediano o show de abertura da noite, da banda carioca Moptop, que cantou em português. A banda carioca entrou no palco às 21h05 e às 21h40 fazia sua despedida, proferindo vários palavrões por conta de seu vocalista para um público até muito comportado para um show de rock.

Até o meio do show do Oasis não havia sido registrada nenhuma ocorrência. Os portões, que foram abertos por volta das 17 horas, tiveram movimento tranqüilo. Mesmo assim, alguns fanáticos fizeram questão de dormir na porta do local.

OASIS PASSA SOM NO CREDICARD HALL

Dois mil fãs estão na calçada do Credicard Hall, desde as 8 horas da manhã, esperando pelo show
por Jotabê Medeiros

À base de cachorro-quente, cerca de 2 mil fãs guardam lugar na fila desde o início da manhã. O grupo inglês está na Zona Sul nesse momento. Fazem sua passagem de som logo mais, entre 16h30 e 17h30, e já ficam direto no Credicard Hall para o show. Segundo a produção, almoçarão nos camarins (peixe e comida orgânica). Os irmãos Liam e Noel Gallagher e cia. chegaram a São Paulo ontem à noite e estão hospedados em um hotel nos Jardins.

Uma das maiores preocupações da produção é quanto à entrada de fãs com objetos. Garrafas e latas estão terminantemente proibidas. No show em Santiago, Chile, um espectador atirou uma lata no palco, e os irmãos Gallagher não gostaram nem um pouco. Ameaçam suspender o show se isso acontecer.

Cerca de 2 mil fãs já estão na calçada da casa de espetáculos desde as 8 horas da manhã - muitos deles, estudantes, perderam o dia de aula hoje para guardar um bom lugar no gargarejo. Almoçaram cachorro-quente, segundo seguranças da casa.

Oasis: as dez maiores encrencas dos irmãos Gallagher
por Fernando Pereira

Os integrantes do Oasis chegaram ontem a noite em São Paulo para uma única apresentação, nesta quarta-feira, às 21 horas, no estacionamento do Credicard Hall.

01. Com toda sua sutileza, Noel gritou para quem quisesse ouvir em 1995, no auge do britpop e da disputa entre Oasis e Blur: "Espero que Damon e Alex, do Blur, peguem aids e morram".

02. Durante uma turnê na Europa, Liam brigou com um fã e levou a pior: perdeu os dois dentes da frente, passou a noite na cadeia e pagou uma fiança de U$ 100 mil. A banda foi obrigada a cancelar seus shows na Alemanha para que Liam se submetesse a uma cirurgia para restaurar os dentes.

03. Os irmãos foram banidos eternamente de viajar pela companhia Cathay Pacific por causarem tumultos e confusões durante um vôo para a Ásia.

04. Quando excursionavam com o Verve pela Inglaterra - além de destruírem o bar de um Hotel -, as duas bandas invadiram uma igreja. Todos foram obrigados a passar uma noite bastante mal dormida no xilindró.

05. Liam destruiu a sala de sinuca do Groucho Club, em Londres, dando um prejuízo de 5 mil libras e sendo preso por um segurança que o confundiu com um vagabundo.

06. No vôo que trouxe os irmãos ao Rock in Rio 3, em 2001, Liam foi advertido pela British Airways depois de apalpar uma aeromoça, fumar sem parar e atirar objetos em outros passageiros.

07. Durante a gravação do Acústico MTV, Liam deu o cano. Noel foi obrigado a cantar todas as músicas enquanto Liam assistia ao show dos camarotes. Bêbado.

08. Na premiação do jornal NME Noel atira sua metralhadora na direção de Robin Williams, Joss Stone e a banda Scissor Sisters: "Eles sabem que são um lixo".

09. Liam compara o Franz Ferdinand ao grupo de carecas Right Said Fred, sucesso de público na década de 80.

10. A banda expulsa da turnê o grupo Baby Shambles em decorrência dos problemas com o vocalista Pete Doherty.

[foto da matéria]

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