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Folha de S. Paulo _ Eu não entendia nada de guitarras, diz Noel Gallagher # 31 março 1997

"Eu não entendia nada de guitarras", diz Noel Gallagher

"Quando eu arrumei um trabalho como roadie de guitarras do Inspiral Carpets, com a banda estourada nas paradas, foi a melhor coisa da minha vida até então. O problema é que eu não entendia nada de guitarras.

Eu já tocava e, completamente idiota, achava que meu trabalho seria apenas colocar e tirar as guitarras dos estojos, carregando todas de um lado para outro. Na primeira vez que vi o monte de pedais de distorção que a banda tinha e recebi instruções sobre como deveria preparar cada um deles, tive vontade se sair correndo.

Mas aí tomei mais umas cervejas e decidi continuar. Como eu sempre estava meio bêbado, condição geral da equipe inteira, as burradas que eu fazia eram creditadas ao álcool. É por isso que digo que beber é uma coisa maravilhosa.

Quando a banda tocava em festivais, encontrava outros roadies e aí tinha a comprovação: eu não sabia nem 10% do que eles sabiam. Falavam coisas que eu nem imaginava o que significavam.

Mas eu tive sorte. Lembro de um show em que as guitarras simplesmente pararam de funcionar. O técnico que cuidava da parte de amplificação fez um sinal de que tudo estava certo do lado dele, e o guitarrista começou a gesticular para mim, apontando as pedaleiras no chão do palco.

Reagi por instinto. Agachei no palco e comecei a tirar e colocar de volta todos os fios conectados. Estava desesperado, com o público vaiando, e troquei vários fios de lugar. Até que, não sei como, veio o barulho de microfonia, e as guitarras voltaram a soar.

Saí correndo do palco, completamente encharcado de suor, sem ter a mínima idéia do que tinha acontecido. No backstage, todos vieram me cumprimentar, diziam que eu tinha salvo o show. Pedi um aumento, e ganhei."

Depoimento de Noel Gallagher, líder e guitarrista do Oasis, publicado no livro OASIS: THE WAY THEY FEEL, de Scott Hopper

  Folha de S. Paulo _ CD-livro penetra no clube do Oasis # 13 junho 1997

CD-livro penetra no clube do Oasis
especial para a Folha

Quando o furacão da "Oasismania" varreu o Reino Unido (o mundo?), centrado no monstruoso sucesso do álbum (WHAT'S THE STORY) MORNING GLORY?, quem se deu bem mesmo foi os fãs capaz de se aproximar do seu objeto de idolatria por meio da palavra escrita.

Se as edições especiais discográficas não davam mais conta da ânsia por mais material do Oasis, a avalanche de livros sobre a banda dos Gallagher fazia a alegria.

Logo, as prateleiras de livrarias/lojas de CDs ficaram abarrotadas de títulos sobre a banda: da biografia mais próxima do oficial aos enlatados gráficos para turista.
TAKE ME THERE, OASIS, THE STORY é um CD duplo, perto de 2,5 horas de duração, que traz adaptação do livro homônimo, escrito pelo jornalista de Manchester Paul Mathur. Lido pelo "bad boy" do rádio inglês, Mark Radcliffe, TAKE ME THERE é um relato de "insider", de quem faz parte do restritíssimo clube dos Gallagher, mas que não se entrega aos maneirismos subjetivistas que costumam estragar esses relatos.

Acompanhamos a meteórica ascensão da banda, das confusões escolares aos espetaculares triunfos, passando pelo primeiro disco de Noel (Sex Pistols), os primeiros shows, as brigas, sexo, drogas, a mitomania... Tudo numa leitura envolvente, com gangsterismo gramatical típico da malandragem local. Se em cinco anos o Oasis foi capaz de tudo isso, é difícil imaginar o que ainda virá. Para se preparar para esse futuro incerto, TAKE ME THERE, o CD, é audição obrigatória. E diversão garantida.

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