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Internacional Magazine _ Aqui e Agora # fevereiro 1998
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Aqui e Agora
por Virgínia Guilhon
É pra valer, o Oasis decola no Brasil para dois shows, dia 20 de março, no Metropolitan (RJ), e dia 21 no Anhembi (SP), além do restante da turnê pela América Latina. Estão previstas apresentações em Santiago (14 de março), Buenos Aires (17 e 18) e na Cidade do México (24). E pode-se esperar um show bem completo de trilogia DEFINITELY MAYBE
(1994), (WHAT'S THE STORY) MORNING GLORY? (1996) e BE HERE NOW (1997). No último show, apresentado no auditório de West Palm Beach em 5 de fevereiro, para um público de pouco mais de cinco mil pessoas, o Oasis fez uma performance coesa, intensa e bem calcada nas melhores composições de seus três álbuns.
Além da seleção e performance musical, a banda também se mostrou mais amadurecida em atitude no palco e fora dele (Liam se apresentou sem sua usual arrogância e mandou um alt para o público americano, perguntando se o som estava chegando bem nas últimas cadeiras). Até na sessão acústica de Noel, quando ele mandou uma versão maravilhosa de
HELP, Liam se manteve bem comportado, deixando o palco para o irmão, ao contrário do show de Jones Beach em Nova Iorque em 96 quando, emputecido, dava socos na caixa de som - show que aliás foi o último da breve turnê americana daquele ano).
Fora do palco, parece que as relações entre os irmãos Gallagher estão calmas. Liam não participou da entrevista coletiva porque estava curtindo uma gripe que pegou em São Francisco, comparecendo Noel e o baixista Guigsy, que pouco falou. Noel se mostrou de bom humor e respondeu a todas as perguntas. Só se recusou quando um jornalista brasileiro indagou se a esposa de Liam seria a próxima Yoko Ono. "Esta pergunta é ridícula, me recuso a responder", disse. Talvez o recente casamento dos dois irmãos possa ter sossegado os ânimos. Em Miami, Noel saiu com a esposa para um shopping, jantou (pasmem!) no Kentucky Fried Chicken (uma rede de fast-food americana) e voltou cedo para o hotel, por volta das sete da noite.
E mais, os boatos de separação foram mais uma vez desmentidos por Noel e, embora Gallagher tenha garantido o futuro do Oasis, foi bastante sincero em admitir que as brigas fazem parte de
qualquer grupo que esteja na estrada por muito tempo. Gallagher também afirmou que nestes últimos três anos a banda amadureceu, e está mais interessada no profissionalismo do que em rivalidades internas. De rival, basta o Blur.
Noel Gallagher: Vamos deixar as coisas claras, eu odeio aquele grupo, com todo o meu coração. Odeio o cantor e acho que o Blur é o pior da música britânica de todos os tempos, junto com as Spice
Girls.
Afirmou ainda que o Oasis é comercial, mas como os Beatles e o U2, "que são nossas principais influências". Para Noel, no entanto, a música comercial dos últimos 10 anos decaiu muito, principalmente
por causa "de gente como Guns n' Roses e todas essas outras grandes bandas de rock formadas por idiotas como Pearl Jam".
Mesmo com a usual arrogância, que segundo Noel, é natural e não faz parte do marketing da banda, ele considerou The Verve como a melhor banda do mundo no momento, depois do Oasis, é claro. E, provando ainda mais a influência de Sex Pistols (junto com os Beatles), afirmou que gostaria de ter tocado na banda no lugar de Steve Jones e não nos Beatles, como todos os jornalistas esperavam que ele dissesse. Do futebol, paixão dos ingleses e de Noel, disse que acredita que o Brasil vá ganhar a copa, mas torcia pela Jamaica na Copa América. No Brasil, quer encontrar com Pelé ou assistir ao futebol de rua e não de jogadores profissionais. Em geral, a expectativa da banda quanto ao Brasil é vir de mente aberta, fazer um bom show e curtir.
Ao que parece, a excursão na América Latina vem em boa hora, no que concerne à vendagem de BE HERE NOW, que até agora foi inferior a de MORNING GLORY, principalmente no Brasil, onde só vendeu 130 mil cópias. Aliás, o disco não emplacou nos Estados Unidos, mercado que continua sendo um desafio para a banda, e Noel afirmou que embora o Oasis tenha atingido muitas metas em sua carreira, certamente, a próxima "é ser número 1 na América". BE HERE NOW tem boas canções, como D'YOU KNOW WHAT I MEAN?, MAGIC PIE, STAND BY ME e DON'T GO AWAY, mas que não tiveram o mesmo impacto como MORNING GLORY, que ofereceu muitos hits.
Na verdade, BE HERE NOW poderia ser considerado uma continuação de MORNING GLORY, ou o seu segundo disco, se fosse duplo. Basta dizer que no meio da turnê de MORNING GLORY muitas canções de BE HERE NOW já estavam escritas e até tocadas, como é o caso de IT'S GETTIN' BETTER
(MAN!!). Em termos de letras, o último álbum também não avançou muito e Noel explica que para ele "o mais importante é a música, a melodia das palavras e o sentimento que causa nas pessoas. Nunca me considerei um letrista, tenho mais orgulho da música".
Quando eu disse a Noel que, de certa forma, BE HERE NOW, com sua predominância de guitarras, vai contra a tendência mais inovadora da música de hoje, que é a música eletrônica, ele afirmou que não tem nenhuma vergonha de tocar rock'n'roll e não vai se desculpar por isso: "Não consigo me ver atrás de um monte de teclados como Rick Wakeman, mas o futuro está em aberto". O que ele não deixou muito claro é até que ponto vai esta abertura para o próximo disco.
Noel: Vai haver mais do que baixo, bateria, guitarra e vocais, mas não há planos para mudanças. Não vamos para o estúdio logo, há o objetivo apenas de terminar a turnê. O próximo disco ainda não começou a ser escrito, mas eu não acredito em nenhuma mudança radical, nada do tipo Prodigy ou coisa parecida. Por outro lado, não queremos fazer nada exatamente como este álbum, porque a gente levou este som à sua conclusão lógica. Não há mais para onde ir neste
caminho.
O que esperar do show? Se o Oasis repetir a fórmula da turnê americana BE HERE NOW, pode-se esperar um excelente show, principalmente se a acústica for boa, como é o caso do Metropolitan. A acústica é importantíssima para a muralha de guitarras e bateria do Oasis. Por exemplo, o show de West Palm Beach pecou por isto. O melhor foi assistir o mais próximo possível do palco. Eles abriram com a faixa título e deu certo, fizeram um breve flash back a DEFINITELY MAYBE, com LIVE FOREVER (demais!), SUPERSONIC e SLIDE AWAY (excelente), rechearam o meio com BE HERE
NOW, com D'YOU KNOW WHAT I
MEAN?, ALL AROUND THE WORLD e STAND BY ME, e fizeram uma breve pausa para as acústicas de Noel com
WONDERWALL, HELP e DON'T LOOK BACK IN
ANGER. A volta foi para CHAMPAGNE SUPERNOVA (cada vez melhor, com um final ainda mais longo) e muito mais.
A propósito, Cornershop, a banda inglesa que abre o show, considerada unanimidade entre os jornalistas brasileiros e até por Noel ("O trabalho recente deles é um de nossos favoritos do ano passado, por isto estão na turnê"), apresenta influências indianas, rock alternativo e hip hop, e apesar de ser um desafio para o público do Oasis, vai ser bem recebida pelos ouvidos mais atentos à música atual. Quanto aos locais para os shows do Oasis, Noel explicou que não foram escolhidos pela banda, mas disse que agora tem preferido tocar em lugares menores.
Noel: É horrível quando você está num estádio grande e o público fica a dois quilômetros, em outro condado. Enchi de ar puro, de chuva, quero voltar para lugares
fechados.
[foto da matéria]
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