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Jornal da Tarde _ Oasis, pontual, leva fãs ao delírio # 22 março 1998

OASIS, PONTUAL, LEVA FÃS AO DELÍRIO

Banda deixa de lado o mau humor e elogia o som do Anhembi, onde cerca de 13,5 mil pessoas assistiram ontem ao show

Na mais perfeita pontualidade britânica, o Oasis subiu ao palco do sambódromo do Anhembi às 22h30 de ontem, tocando o sucesso BE HERE NOW. O público, estimado em 13,5 mil pessoas, foi à loucura. A exemplo do que ocorreu em Santiago do Chile e no Rio, a banda entrou em cena ao som de Led Zeppelin. Na seqüência a balada STAND BY ME - atual música de trabalho da banda e já sucesso nas rádios da capital.

Às 21h15, o grupo carioca Squaws esquentou a platéia que lotava as arquibancadas. Apesar do show monótono, não foi muito vaiado pela platéia. Seguindo a linha dos conterrâneos do Planet Hemp, o conjunto fez uma mistura de hip-hop e rock. Os portões foram abertos às 18h, quando a fila para a entrada das arquibancadas e pista chegava a 1,5 km. Até às 22h de ontem nenhuma ocorrência grave havia sido registrada nos postos médicos e policiais. Apenas 15 pessoas foram atendidas pelos médicos, a maioria por alcoolismo e cansaço. A única confusão ocorreu na pista. Como só havia uma entrada para o setor, pelo lado direito do palco, o público se espremia nesta área.

Na chegada da banda ontem a São Paulo, o Oasis mostrou mais uma vez que o marketing faz parte de sua carreira. A fama de arrogante do grupo inglês foi deixada de lado. Calmos e atenciosos, distribuíram autógrafos no saguão de desembarque do Aeroporto de Cumbica. O conjunto desembarcou em Guarulhos às 14h30 e pouco antes das 17h já fazia a passagem de som no sambódromo. O vocalista Liam Gallagher preferiu ficar no hotel, comendo amendoim e assistindo ao jogo entre São Paulo e São José. Na passagem de som o grupo executou quatro canções: STAND BY ME, DON'T GO AWAY, DON'T LOOK BACK IN ANGER e CIGARETTES & ALCOHOL.

Noel Gallagher: A qualidade do som aqui é fantástica.

Em sua chegada a São Paulo, o vocalista Liam, que vestia a camiseta da Seleção Brasileira, disse que "o show do Rio foi ótimo, principalmente pelo público". Segundo o cantor, a banda não teria interesse em conhecer nada na capital paulista. "Quero apenas descansar e fazer um show que agrade as pessoas".

Sobre a não inclusão da cover HELP dos Beatles nos shows, Liam foi taxativo: "Chega de tocar essa música, ela já encheu". A briga entre os irmãos Gallagher parece ser uma das poucas coisas que não fazem parte da estratégia de marketing do Oasis. Enquanto Liam saía do aeroporto acompanhado pelo resto do grupo, o guitarrista Noel permanecia no saguão. Perguntado sobre o que Noel estaria fazendo, o vocalista foi claro.

Liam Gallagher: Não sei. Não faço idéia do que ele está fazendo ali no saguão. Quero ir para o hotel descansar. Dizem que eu sou mais simpático do que ele, mas isso não é verdade. Eu sou o bastardo da família.

Anteontem, o grupo recebeu da gravadora Sony brasileira o Disco de Ouro pela vendagem de 130 mil cópias de seu mais recente disco, BE HERE NOW.

[foto da matéria]

  Jornal da Tarde _ Oasis: esnobismo e competência # 23 março 1998

OASIS: ESNOBISMO E COMPETÊNCIA

Atitude blasé dos irmãos Gallagher não atrapalhou a qualidade da apresentação da banda, anteontem no Sambódromo

Evidentemente que um show com muitos efeitos visuais, parafernália eletrônica e uma iluminação "hollywoodiana" fazem de um espetáculo de rock um sucesso - como foi o caso do U2. Mas, é muito mais gratificante quando uma banda alcança o mesmo resultado positivo simplesmente tocando suas canções, sem um apoio "extra" musical. Este foi o caso do Oasis, que encantou cerca de 13.500 pessoas em sua apresentação sábado, no Sambódromo.

Os irmãos Noel e Liam Gallagher parecem desinteressados do público durante o show. Pouco comunicativos, passam a impressão de que tocam por obrigação. Mas, a atitude blasé do grupo acaba ficando em segundo plano quando o som começa. É rock de grande qualidade.

Mesmo com a cerveja liberada - uma lei municipal proibe a venda de bebidas alcóolicas em estádios depois que um jovem morreu, em 1995, em uma briga entre torcedores -, os seis postos médicos instalados no Sambódromo não registraram aumento nas ocorrências. Os médicos atenderam 120 casos - a maioria por mal-estar e desmaio (70 pessoas) e apenas três por alcoolismo. Se os médicos tiveram pouco trabalho, a Polícia Militar não teve o que fazer no show: nenhuma ocorrência foi registrada.

O show do Oasis, com duração de 1h50, foi dividido em três partes. Começou pontualmente às 22h30 sob a introdução de ROCK AND ROLL, do Led Zepellin. A primeira foi destinada ao rock pesado, com canções como ROLL WITH IT e SUPERSONIC. A segunda parte ficou por conta do guitarrista Noel, que apresentou um set acústico. Para o final, ficaram alguns dos principais hits do grupo, como DON'T LOOK BACK IN ANGER e WONDERWALL. Ao todo, 16 músicas.

Liderado pelo vocalista Liam, que vestia a camisa 9 da Seleção Brasileira, o Oasis entrou em cena em grande estilo com as músicas BE HERE NOW, STAND BY ME e SUPERSONIC. No final de CIGARETTES & ALCOHOL, a banda fez mais uma citação ao Led Zepellin: Noel tirou os acordes de WHOLE LOTTA LOVE.

O set acústico, que tinha sido o melhor momento do show em Santiago, foi um dos mais entediantes em São Paulo. Com exceção de DON'T GO AWAY, SETTING SUN (dos Chemical Brothers) e FADE IN-OUT foram cansativas.

A parte final do show entra com a arrasante DON'T LOOK BACK IN ANGER. Na seqüência, uma versão eletrizante do megahit WONDERWALL. Um dos poucos momentos de integração "banda/público" ocorreu antes de CHAMPAGNE SUPERNOVA. Noel brincou dizendo que a seleção brasileira perderia para a Inglaterra na Copa do Mundo. Neste instante, Liam mostrou ao irmão a camisa "verde-amarela". Ambos riram. Para encerrar um ótimo show, duas músicas mal escolhidas: ACQUIESCE e I AM THE WALRUS (Beatles).

Antes do Oasis, a banda carioca Squaws abriu o espetáculo. Durante 40 minutos, o conjunto mostrou que precisa melhorar muito sua qualidade musical para chegar a algum lugar.

Notas

Após o show de sábado, os integrantes do Oasis resolveram passar a madrugada de domingo bebendo, fumando e conversando com mulheres no piano bar do hotel Maksoud Plaza. Noel sentou-se a uma mesa com os outros integrantes da banda. Liam isolou-se no bar.

Desde sua chegada a São Paulo até a madrugada, Liam não trocou de roupa. Quando subiu ao quarto para dormir, o vocalista ainda vestia a mesma camisa 9 da seleção brasileira, bermuda e jaqueta de couro preta, com que se apresentou.

Para Noel, o show de sábado em São Paulo foi igual ao do Rio de Janeiro. Nem melhor, nem pior. "Todos os shows que fazemos são sempre iguais."

Mais uma vez, ficou comprovado que os dois irmãos não se bicam. Desde a chegada da banda ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, os dois não trocaram uma palavra sequer e raramente olharam um para o outro.

Mais uma prova de que eles evitam dividir o mesmo espaço: há uma van para Noel e outra só para Liam.

Liam foi o único integrante da banda que não participou da passagem de som. Perguntado sobre o porquê, respondeu: "Não preciso disso. Sou profissional".

No intervalo entre os shows do Squaws e Oasis, a fila do banheiro feminino era enorme. As meninas resolveram, então, invadir o toalete masculino, que ficava ao lado. "Nossa, como esse banheiro é nojento", diziam. "Volta pro outro", retrucavam os homens.

No Brasil, as agressões verbais entre os dois irmãos deram lugar ao desprezo mútuo. No show de sábado, Liam sentou-se no palco, com ares de entediado, todas as vezes que Noel exibia seus dotes guitarrísticos em longos solos.

[foto da matéria]

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