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O Globo _ Oasis bota o rock inglês em duas caixas # novembro 1996

OASIS BOTA O ROCK INGLÊS EM DUAS CAIXAS

Compactos do grupo mostram seu poder de síntese, seu bom senso pop e sua falta de originalidade
por Carlos Albuquerque

É apenas rock and roll, e a graça é essa. O Oasis - a maior banda-síntese da História - fez renascer o pop britânico com doses cavalares de simplicidade. Com apenas dois discos - DEFINITELY MAYBE e (WHAT'S THE STORY) MORNING GLORY, lançados, respectivamente, em 1994 e 95 - o grupo liderado pelos irmãos Gallagher (Liam, o vocalista; Noel, o guitarrista e principal compositor) galgou as paradas de sucesso com uma série de singles espetaculares e conquistou um mundo de fãs. No percurso, teve gente dizendo que o Oasis era mais popular do que os Beatles, um polêmica alimentada pelos integrantes da banda, que nunca esconderam de ninguém o sonho de se transformar nos Fab Four dos anos 90.

Para tentar entender o motivo de tanto barulho, é bom - ou melhor, é ótimo - ouvir as caixas DEFINITELY MAYBE - SINGLES e (WHAT'S THE STORY) MORNING GLORY - SINGLES com compactos que puxaram esses discos para cima. As caixas - importadas e que vêm em luxuosas embalagens - trazem também faixas bônus (ou, como diriam os antigos da era do vinil, lados B) que se alternam entre literais sobras de estúdio e pequenas jóias que poderiam muito bem estar em algum dos dois discos do grupo.

São quatro singles em cada caixa, acompanhados por um CD com trechos de diversas entrevistas e um libreto com texto-exaltação, um faixa-a-faixa escrito por Noel e algumas fotos legais e outras nem tanto. Para o fã de carteirinha do Oasis - e talvez só mesmo para ele - vale o investimento.

Grupo resume três décadas do rock inglês em três minutos pop
Abrindo-se as caixas de singles, abre-se para a visitação um pouco da história do próprio rock inglês. É que o Oasis, com maestria inigualável, sintetizou três décadas de muito barulho e diversas tendências e trocas de rumo em três minutos de primor pop. E, talvez, essa seja a diferença do Oasis - e a razão do seu sucesso. Enquanto meio mundo escamoteia as suas influências, o Oasis assume todas elas, como se fosse uma grande creche de todas as criações do pop made in England. Está todo mundo ali: Beatles (muito, muito), Stones, Faces, David Bowie, Stone Roses, Sex Pistols, T-Rex, etc. Todos em pequenas doses, como se fosse a composição de um remédio milagroso. De fato, o Oasis tirou o brit pop do marasmo depois de um tempo assistindo de cadeirinha à ascenção - e queda - do grunge ianque. O Oasis é bacana, é legal desde que não se busque originalidade no seu som (nesse quesito, a galera da eletrônica está com a bola toda). Nada é perfeito.

Mas, honra seja feita, o Oasis chega perto da perfeição pop. LIVE FOREVER, por exemplo, é um primor. Parece a música que Bowie esqueceu de gravar na época de ZIGGY STARDUST. Acompanhando o single, que era uma das melhores músicas do primeiro disco do grupo, estão UP IN THE SKY, em versão acústica, e SUPERSONIC, ao vivo. Ouro para os colecionadores. Vale registrar a opinião (nada modesta, mas engraçada) de Noel sobre a música: "É uma das melhores canções de todos os tempos. Duvido que alguém faça algo parecido nos próximos dez anos. A não ser nós mesmos, claro", diz no encarte.

Tem mais, muito mais. LIVE FOREVER reaparece, numa versão ao vivo, gravada no festival de Glastonbury, no single de ROLL WITH IT. A festa continua em DON'T LOOK BACK IN ANGER, uma pérola do segundo disco, que é acompanhada por uma gracinha: a versão do Oasis para CUM ON FEEL THE NOIZE, originalmente do Slade e regravada nos anos 80 pelo Quiet Riot. Incrível: duas versões, sem grandes inovações, que não superam o original.

SOME MIGHT SAY não está em boa companhia. As três músicas que completam o single poderiam, tranqüilamente, continuar sendo sobras de estúdio. Não é o caso de COLUMBIA, que surge no compacto de SUPERSONIC em versão "white label demo".

Ausência de WHATEVER é a única falha das coletâneas
É legal ver a música em estado bruto, quase delicada, longe da parede de guitarras que está no disco (o primeiro). I AM THE WALRUS, dos quatro de Liverpool, dá o ar da graça no compacto de CIGARRETES E ALCOHOL em versão ao vivo, gravada em junho de 1994. Pesada e esquizofrênica, ela ganha roupa nova, sem perder a identidade original.

A lamentar, apenas a não inclusão nas caixas de WHATEVER, uma das melhores músicas do Oasis, um épico de 11 minutos, com arranjo de cordas, mas que não saiu em disco algum e, portanto, ficou fora dessas.

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