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Poppycorn _ Não acredite na verdade #
junho 2005
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Não acredite na verdade
por José Franco
Não é verdade o que a crítica está alardeando por aí que, desde DEFINITELY
MAYBE (1994) e (WHAT'S THE STORY) MORNING GLORY? (1995), a banda inglesa Oasis não
faz um disco que tenha importância. Depois dos dois elogiados álbuns, que
fizeram a história da banda e, de certa forma, serviram de alicerce para ela e
muitas outras que viriam, iniciando assim o grande momento do britpop e do rock
inglês.
É verdade que com BE HERE NOW (1997), eles não traziam mais a garra e a pegada
que havia nos dois outros discos, o som demonstrava a perda de algo. Depois com
STANDING ON THE SHOULDER OF GIANTS (2000) e HEATHEN CHEMISTRY (2002), a crítica
fez a mesma afirmativa, mas é preciso ressaltar que esses últimos três discos
possuem canções que merecem serem ouvidas: D'YOU KNOW WHAT I MEAN?, STAND BY
ME, DON'T GO AWAY, ALL AROUND THE WORLD, FUCKIN' IN THE BUSHES, GO LET IT OUT,
GAS PANIC, THE HINDU TIMES, HUNG IN A BAD PLACE, STOP CRYING YOUR HEART OUT. É
muito pouco se formos olhar para os outros dois discos que traziam juntos quase
que uma coletânea de hits, mas não é de todo mal para se dizer que estavam
fora de forma.
O grande segredo para tentar entender a banda, talvez seja classificá-la como
uma banda de palco, que existe para fazer shows, onde eles se sentem muito mais
a vontade do que em estúdio. Essa tentativa de entendê-los fica mais fácil
quando da audição de seus shows em bootlegs ou no ótimo FAMILIAR TO MILLIONS
(2000), onde setenta mil vozes cantam em coro seus hinos. Em um dos bootlegs é
possível ouvir Liam gritar "Vamos agitar essa p@#$%, aqui em cima não tem
nenhum Simple Minds". Se Wembley vem abaixo, na gravação do disco ao vivo
de 2000, nos outros shows não é diferente.
Entendendo o Oasis da forma que o parágrafo acima propõe (sempre lembrando,
claro, que não é uma regra), é preciso dizer que, agora sim, a banda fez seu
melhor disco em anos. Colocando nas prateleiras DON'T BELIEVE THE TRUTH, a banda
reassume seu lugar no hall do rock, criando novamente grandes hinos.
Com nova formação, agora com Liam, Noel, Gem Archer (guitarra), Andy Bell
(baixista, ex-Ride) e Zak Starkey (baterista, filho de Ringo Star) a banda
inicia o novo disco com TURN UP THE SUN, que abre com uma boa levada até
estourar em uma pungente guitarra, a bateria tocada por Zack Starkey, pulsa
durante toda a música, os irmãos Liam (voz) e Noel (guitarra e vocais)
Gallagher, novamente mostram o que é rock’n’roll. MUCKY FINGERS vem
empolgando, traz uma gaita junto a bateria e guitarra repetindo notas, mas
apenas a gaita ao final se salva, uma pena.
LYLA primeiro single do disco é puro Oasis, grande música feita para ser
cantada em estádios, da mesma forma que a primeira canção do disco esta também
explode e traz uma guitarra sempre presente, bateria marcada e um vocal em boa
forma. No meio da música uma guitarra furiosa brilha sozinha entre riffs e as
pancadas da bateria. Grande canção. Em LOVE LIKE A BOMB a canção parece ser
carregada mostrando quase não chegar, não é uma canção ruim, mas faz
lembrar que está perdida do disco de 2000, o que não seria uma evolução da
banda, repetir fórmulas sem acrescentar algo. THE IMPORTANCE OF BEING IDLE
inicia com uma bateria a lá Beatles, é melodia pura, Noel de volta a boa forma
faz o vocal, os solos de guitarra vão fazer as menininhas gritarem, e assim
como grande parte da influência da banda, esta música não foge a regra faz
voltarmos aos anos 60.
THE MEANING OF SOUL acelerada e sem muita melodia, poderia ter sido deixada de
fora do disco. Calma para o estilo Oasis de música GUESS GOD THINKS I'M ABEL,
cativa com o passar dos minutos e quando chega ao seu final depois de uma explosão,
mas não é uma grande canção que vá ficar na lembrança após a audição do
disco. Talvez as melhores músicas de DON'T BELIEVE THE TRUTH, estejam em sua
primeira metade, isso é o que mostra as canções citadas acima e PART OF THE
QUEUE, que repetindo a fórmula de tantas outras canções da banda não traz
nenhuma novidade, mas vai agradar o fã que gosta tanto da banda por seus hinos,
como por canções que muitas vezes se parecem. Próximo do fim o vocal repetido
junto aos instrumentos fazem um barulho cativante e o ouvinte entra na canção,
mas aí ela acaba.
KEEP THE DREAM ALIVE, pode ser classificada como as canções anteriores, não
traz o novo, mas lembra o que há de bom nos primeiros discos (refrão gostoso
de se acompanhar, guitarras enterradas, bateria marcada), uma típica canção
da banda.
A exceção na parte final do disco é a linda LET THERE BE LOVE, com paradinha
na metade da canção e um vocal emocionado, que pode ter exagerado na medida,
mas como é a única que possui essa levada no disco merece atenção com uma
ressalva: não lembra em nada as grandes canções românticas da banda.
Quando a banda colocou ingressos à venda ainda no meio de 2004 para shows este
ano, eles se esgotaram em horas, isso quando não se sabia ainda o conteúdo
desse novo disco. Fanatismo? Idolatria pura? Ou credibilidade merecida? Cada fã
da banda ou crítico tem uma resposta, mas uma coisa é certa o Oasis ainda
continua sendo uma grande banda, fazendo a bandeira do bom e velho
rock’n’roll tremular com força e honra.
Com esse DON'T BELIEVE THE TRUTH (Sony & BMG), a banda repete novamente a
velha fórmula de unir o antigo extraindo o seu melhor (Rolling Stones, Byrds,
Velvet Underground e, claro, Beatles) e torná-lo, de certa forma, novo. O tempo
dirá se esse disco vai render muitos hinos e, talvez, a vinda da banda ao país.
De qualquer forma, reserve o melhor lugar no gramado, porque, com certeza, o estádio
irá lotar.
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