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Scream & Yell _ Oasis no estacionamento
do Credicard Hall #
março 2006 |
Oasis no estacionamento do Credicard Hall
por André Azenha
Todas as vezes que os britânicos do Oasis vêm ao Brasil, a imprensa alardeia a
má fama dos rapazes, principalmente dos irmãos Liam e Noel Gallagher. Dessa vez,
na terceira passagem dos caras em terras tupiniquins (as anteriores foram em
1998 e 2001), não foi diferente. Uma matéria do site de um grande diário
paulistano citava as "Dez Maiores Encrencas dos Irmãos Gallagher". Pura bobagem.
Eles sempre foram marketeiros de marca maior; e a alcunha de arrogantes, ao
menos nessa noite do dia 15 de março, quando o grupo fez o show da turnê do
excelente álbum DON'T BELIEVE THE TRUTH (que recolocou a banda nos trilhos),
ficou de fora do palco.
As quase 15 mil pessoas que compraram os ingressos tiveram que enfrentar um
trânsito caótico para chegar ao estacionamento do Credicard Hall. Muitos
perderam a banda de abertura Moptop. Nas ruas próximas ao local, dezenas de
cambistas ainda estavam vendendo entradas pelo preço comercializado no início da
divulgação do evento: R$ 120. Para quem estava a fim de faturar uma camiseta, o
negócio foi comprar do lado de fora, por R$ 15, enquanto dentro o valor era a
pequena bagatela de R$ 50. O copo de cerveja custava R$ 5 e pacotinhos pequenos
de salgadinhos, R$ 3,50. Ai de quem teve fome.
Dificuldades do público superadas, o quarteto entrou no palco com pontualidade
britânica, às 21h59, antecedendo em um minuto a programação. De cara, após
rápida execução da instrumental FUCKING IN THE BUSHES nas caixas de som,
emendaram duas músicas do último trabalho: TURN UP THE SUN, e a primeira e fazer
a massa cantar junto, LYLA. A partir daí, começou a cair uma tempestade (quando
Noel comparou São Paulo com sua cidade natal Manchester) que fez a alegria dos
vendedores de capas de chuva, que de R$ 3, aumentaram o valor para R$ 10. O pé
d'água não atrapalhou em nada, e ajudou a lavar a alma dos fãs, tomados pelo
clima da festa.
Com mais de dez anos de estrada e com ótimos discos lançados, o Oasis é daqueles
grupos cheios de hits; dos quais, se nem todas as pessoas sabem levar as letras
de cor, ao menos lembram dos refrões. Assim fica difícil não agradar. O som
começou baixo, mas logo estava fazendo o chão tremer. A postura ao vivo dos
caras continua a mesma. Paradões, poucas palavras e uma música atrás da outra.
A formação atual provavelmente é a melhor que a banda já teve, graças à
competência do baterista Zak Starkey (filho de Ringo Star), do baixista Andy
Bell e do guitarrista Gem Archer, que deram um frescor ao som feito pela turma.
Já Noel continua sendo Noel, mandando bem no vocal quando precisa e firme na
guitarra-base. E Liam canta muito.
A apresentação seguiu alternando grandes sucessos como MORNING GLORY, CIGARETTES
& ALCOHOL e ACQUIESCE; com canções recém-lançadas como MUCKY FINGERS, LOVE LIKE
A BOMB e KEEP THE DREAM ALIVE. E dois fatores chamaram atenção: o grande número
de adolescentes (que eram bem novinhos quando o primeiro álbum DEFINITELY MAYBE
foi lançado), que cantaram todas as músicas antigas, e a quantidade de pessoas
que acompanhou as músicas novas. Entre rockões e baladonas, os pontos altos da
festa foram logicamente WONDERWALL, CHAMPAGNE SUPERNOVA, DON'T LOOK BACK IN
ANGER, ROCK 'N' ROLL STAR e principalmente, LIVE FOREVER. Essa última dedicada
por Noel à nossa seleção de futebol (causando urros de alegria do público). A
ausência percebida por algumas vozes da platéia foi de STAND BY ME, deixada de
lado junto com os outros sucessos do subestimado BE HERE NOW.
Parada de alguns minutos e a primeira do bis foi SUPERSONIC. No encerramento,
após uma hora e quarenta minutos de rock, em uma das raras vezes que foi
possível presenciar uma canção porrada com bateria rápida executada pelos
ingleses, o clássico do Who: MY GENERATION. Sorrisos e mais sorrisos.
No fim das contas, para quem foi alertado de que ao vivo eles não faziam jus aos
grandes álbuns lançados; e que só dava para esperar da banda um bando de
britânicos malas e enjoados, a surpresa e a satisfação foram tremendas. Não
foram necessários os discursos à Bono Vox ou a mega-produção do U2. Nem os
trejeitos de um Mick Jagger. O que bastou para (junto com a água vinda do céu)
lavar a alma do povo foi um gigante palco simples e uma banda disposta a
executar corretamente grandes canções presentes na memória de (agora) mais de
uma geração. Afinal, do que mais um bom show de rock precisa? Ponto para o Oasis
e sorte dos felizardos que compareceram, já que o show-extra que aconteceria no
dia seguinte foi cancelado.
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