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Cake Magazine _ No místico # outubro 1993
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No místico
por Katherine Turman
Tamborim tocado no quadril e o cabelo repartido ao meio
são balançados extasiadamente pela elétrica música de
transe do Verve enquanto a exagerada serpente, o boca
carnuda Richard Ashcroft, se estorce debaixo das luzes coloridas
no palco do Whiskey-A-Go-Go em Hollywood. Bem-vindo aos anos
90?
Em todo caso, os mais novos queridos da Inglaterra estão
justificando o hype deste evento de ingressos esgotados, junto com os
abraços críticos que cercam o seu melífluo LP americano de estréia,
A STORM IN HEAVEN. Da sentimental STAR SAIL para a leviana
e hipnótica SLIDE AWAY, o show ao vivo do Verve ressalta a
cacofonia suavemente psicodélica do álbum, a atmosfera de
sonambulismo. O guitarrista Nick McCabe alterna entre
notas bem espaçadas e acordes de ondas de som. O baixista
Simon Jones e o baterista Pete Salisbury fornecem o fundo
constante para que as palavras de Ashcroft estejam presentes,
com todo o seu ardor extasiado mas voltadas para o seu
público em Peeping Toms. Sem mencionar o próprio
Ashcroft. "Quando tudo estava acontecendo, eu estava
num canto do quarto, olhando para baixo e meio que rindo
de mim mesmo", ele explica o próximo dia, sentado
com as pernas cruzadas num sofá da sala de estar da
Virgin Records. "É um cenário tão surreal que
você não pode evitar, mas dar um pontapé no
envolvimento com isto. É como ser envolvido neste
ridículo filme."
Frases misticamente expressas que atravessam a conversa de
Ashcroft assim como a sua música, uma sensibilidade que
alguns poderiam achar preciosa mas que parece saltar de um
ponto de vista genuinamente espiritual. A morte do seu
pai, quando Ashcroft tinha 11 anos, incitou o que ele
chama de um "viver a vida para a mais completa"
epifania, enquanto o padrasto dele é um Rosicruciano -
"um partidário do movimento dos séculos 17 e 18, que
se dedicou à sabedoria esotérica com ênfase no esclarecimento psíquico e espiritual", de acordo com
Webster. A visão de mundo de Ashcroft inclui referências
improvisadas para viagem astral e visão de auras. "Eu
fiz todas esses coisas", ele diz. "Você tem que
se concentrar mas não estar atento a qualquer um de seus
preconceitos, não escute o que sua mente diz."
Richard Ashcroft: Eu tenho sonhado com música desde que tinha 12 ou 13
anos, e considero esses sonhos tão
importantes quanto visualização, que é uma parte
importante da meditação. Se você quer algo, visualize, veja, cheire, toque, caminhe ao redor. Antes do
Verve, eu toquei com o Nick, e no final do show, por
alguma razão, eu estava completamente anormal e comecei a
rolar no chão. Todas os garotos estavam me olhando
fixamente, 'O que esse vagabundo, o que esse foda está
fazendo?'. Mas eu não pude evitar.
E uma estrela nasceu, embora fosse numa improvável
incubadora de Wigan, um pequenino lugar nas redondezas de
celeiros musicais mais famosos como Manchester e
Liverpool. "Não é pequeno, mas é pequeno em termos
de ter qualquer vida social noturna ou reunião",
explica Ashcroft. "É ótimo se você usar sapatos de
verniz e beber 19 garrafas de cerveja; você terá a
época de sua vida."
Os integrantes do Verve evitam os sapatos, mas se viciam
em bebedeiras sociais e nos benefícios de outras drogas
ilícitas, que parecem ter alguma relação na viagem do
grupo, som hipnótico. "Nós realmente somos sérios
em relação a banda, mas também somos relaxados. Não fixamos horário para ensaiar, somente ficamos juntos
e tocamos e tentamos modelar uma canção nisso. A atual
construção das canções é realmente natural.
Rola." É uma aproximação que é conhecida com sucesso
desde que Verve lançou o seu inicial EP na Inglaterra em
1992. (Melody Maker escreveu tanto sobre a banda desde
então que poderia muito bem ser o órgão oficial deles.)
Antes de negociar seu disco, porém, os integrantes do Verve
passaram vários anos desempregados. "Eu tive meu
apartamento de volta mais ou menos cinco meses
atrás", recorda Ashcroft. "Eu devia ao
proprietário aproximadamente 3000 libras e meu telefone
foi desligado antes disso. Sou terrível com
finanças."
Agora um maduro de 21 anos, no meio do êxtase das fãs,
ele ainda pode lançar um sóbrio olhar sobre o futuro.
"Que diabos você faz quando tudo termina?", ele
rumina. "Nós só temos outros 10 anos,
provavelmente. Depois que uma canção não for um pouco
mais longe do que a última, depois que alcançarmos um
planalto e não pudermos ir mais longe para o topo da
montanha..." Ele controla um sorriso irônico.
"É quando voltaremos para a obscuridade."
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