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Lime Lizard _ Em algum lugar distante # julho 1993

Em algum lugar distante
Por Jon Setzler

Foi dito muitas vezes anteriormente que a marca de um grande disco é que ele faz você lembrar de outros grandes discos, reconectando você à partituras de rocks passados. Isso, no entanto não faz um grande disco simplesmente o tornando grande limitado por aspas porque todas essas qualidades já foram definidas. Como com BANDWAGONESQUE do Teenage Fanclub ou THE SOUTHERN HARMONY do Black Crowes..., a sua existência se torna possível somente pelo fato de que o seu teto já foi fixado. Se você está disposto a se enganchar no passado, o primeiro acidente é invariavelmente a vontade de escapar. Melhor do que pessoas que estão fixadas no legado do rock, talvez nós devêssemos olhar para essas que estão hipnotizadas, essas que podem nos permitir olhar pra fora do mapa, fora do território das paradas.

Richard Ashcroft: Qualquer um pode apanhar um violão e tocar HEROIN do Velvet Underground, mas nem todo mundo que apanha um violão pode criar algo que soe fresco e novo. Qual a finalidade de se fechar quando lhe é dada a chance de fazer música? Talvez você só fará um disco em sua vida, que é o jeito como nós vemos isto quando gravamos. Nós gravamos como se fosse a última coisa que vamos fazer, puramente porque você tira o máximo de si mesmo. Não é de um modo genial, apenas é um modo expandido, e não sendo medroso por usar certos sons, certos instrumentos. Talvez com o novo LP, A STORM IN HEAVEN, e alguns discos que o procederam, as portas finalmente estão sendo quebradas até a expressão nos discos, e expressão até onde a banda está preocupada. O modo como vejo isso é que é hora das pessoas que querem criar por criar, e pessoas que querem estar longe de se afundar na mediocridade.

Verve não está afundando, eles estão flutuando há várias milhas de altura, acumulando caminho além de qualquer ponto de referência que pode ter chamado a atenção. A STORM IN HEAVEN não é apenas um "grande" disco, é um grande "grande" disco, um que o faz lembrar de discos que você até mesmo nunca ouviu, e lhe faz sonhar com discos que podem um dia existir. Verve alcança, não saqueia quinquilharias do passado do rock, mas pela pura tarefa de alcançar, como se o ato sozinho elevasse para o conceito de um futuro, um futuro só definido pela sede por isto, tão real e ainda indefinido como a luz emanada da lente de um projetor quando dispersa no espaço.

Richard: Eu acho que há faixas no álbum que te relaxam e te derrubam novamente, mas a coisa rock, o problema com muitas bandas é que se eu gosto de Byrds - e certo, eu gosto de Byrds, todos nós gostamos de Byrds – não significa que temos que pegar RICKENBACKERS e soar exatamente como eles. Nós gostamos de FUNKADELIC, e nós gostamos de toques de Led Zeppelin, nós gostamos de todos os tipos de música, mas não significa que você tem que afiar e arrancá-la. Porque nossos gostos musicais são tão amplos e tão variados, nós não estamos apaixonados por uma banda em particular. Você absorve todas essas coisas, e então em troca você não os rouba, porque você tem elas entrando tanto na sua cabeça.

Alguém escreveu uma vez que sua definição de beleza era todas as coisas que nunca são ditas, porque linguagem só revela a verdade quando se esvazia e se desprende das costuras. Verve parece fazer a mesma coisa com música. A STORM IN HEAVEN não reconecta pontos musicais para fechar em específico, meio que demarca um espaço, uma ausência, como se estivesse gesticulando para um silêncio que solucionaria todas as tensões dando respiração. O que faz isto tão expressivo é sua inabilidade para se encapsular, o modo que Richard Ashcroft pode segurar o meio nunca soa egocêntrico, o modo que lança a sua voz como se fosse um oferecimento que ele não pode exigir de volta. A música do Verve são todos os vapores e momentos sagrados, passageiros, desliza pelos dedos deles como uma mão que se arrasta pela água, mas não é um som envelhecido antes de seu tempo, é o som vigorado de idealismo.

O magnetismo desinteressado do Verve poderia ser o qual Robert Hampton estava chegando com o título de suas próprias faixas, FEED THE COLLAPSE, algo que irradia energia, e ainda poderia manter a mesma massa, a mesma gravidade. Algo que te atrai e dispersa pra longe ao mesmo tempo, como uma regeneração perpétua.

As faixas do Verve parecem como trabalhos em andamento?
Nick McCabe:
Eu suponho que poderiam ser. Essa é uma das coisas boas sobre nós, porque é uma coisa viva respirando. Você pode ver algumas bandas todas as noites, e são apenas frias. Eu acho que algumas pessoas vêem qualidade como sendo profissional e rigoroso, mas o que importa? Eu gosto de ver uma banda foda uma noite, e então os ver superar a próxima.

Richard: Nós temos sorte o bastante para ter a liberdade da gravadora. Todo mundo ao nosso redor está totalmente afinado com o que estamos fazendo, das pessoas que fazem as capas até tudo, e ter esse grupo ao nosso redor nos dá uma imensa quantidade de liberdade e um foco definido para nos deixar ir. É nessa liberdade que nós realizamos, e eu acho que as bandas devem isso para o seu público, eles devem isso para pessoas que estão se esforçando para estar em bandas, para pessoas que amam música, se expandir nessa liberdade.

De acordo com todas as previsões originais, Verve deveria ter feito regulares aparições no Top Of The Pops até agora, eles deveriam ter tido os documentários de domingo que voltariam a sua atenção pra longe do artigo "What's all the fuss about?" escrito pelo Eric Clapton. Mas isso não aconteceu. Pode ter havido uma perda de nervos por parte da imprensa, mas na luz da qual o Verve estava se tornando, dos dez minutos de SHE'S A SUPERSTAR para a frente, simplesmente era muito perguntar. Por todo o carisma de Richard, Verve estava demonstrando-se muito esquivo e muito preso em seus próprios ideais para expressar a singular identidade que a fama exige. Não é que a afeição não estava comprovada, apenas que a afeição achou muito detalhes com que se ocupar.

Richard: De vez em quando uma banda como nós consegue a capa dos jornais de música, definitivamente vale a pena, definitivamente há algo lá, e não há nada parecido com isso. Há tantas que decepcionam com bandas que são exageradas, e não estou sendo arrogante e muito ambicioso, mas eu não acho que somos exagerados o bastante. Eu não acho que exagero é a palavra certa para nós. Eu acho que a verdade é mais que isso.

Talvez uma das coisas que dificulte o exagero do Verve é que o exagero precisa criar uma comunidade para parar de entrar em colapso, e essa comunidade tem que estar ligada por certezas, algo que não declare a si mesmo nenhuma condição incerta. Verve oferece uma sensação menos definida de pertencer, não se declarando como "aqui mesmo, agora mesmo", mas declarando que sempre há mais pra ir. Para estar em contato com Verve, você tem que perder o seu chão, se dar uma chance.

Richard: Nós não gostamos de negociar com emoções específicas. Nós não gostamos de dizer 'essa canção vai ser sobre isso...'. Nós encapsulamos amor, o sentimento de ódio nós temos dentro de nós, o modo como ele flui pra fora, e o modo que nossa música interage com o ouvinte e o público quando nós tocamos ao vivo. Uma canção pode significar cem coisas diferentes. É esse tipo de espaço que temos que manipular, nesse tipo de espaço que podemos jogar com as emoções das pessoas e podemos jogar com nossas próprias emoções. Nós somos diferentes todas as noites, porque nós somos humanos, e nós reagimos às coisas ao nosso redor. Tantas bandas podem tocar o mesmo set por dois anos, o que é desumano. É como máquina e maçante.

Richard: Queremos desdobrar nós mesmos e outras pessoas. Nós sempre tivemos a intenção de ser uma banda que nunca fosse boa em categorias. Quando nós começamos havia toda a merda da "cena que celebra a si mesmo". Nós não ficamos um segundo pensamento nisso. Nós nem mesmo tivemos uma reação quanto a isso. Éramos somente nós mesmos, e sempre seremos.

Nick: É isso que as pessoas acham tão estranho, não é, porque eles não são acostumados a escutar algo que realmente não está empacotado. É como um organismo. Realmente tem uma vida própria. Não há nenhuma aparência, o que você vê é o que você tem. Você vê tantas bandas que aspiram ser "algo", e nós não somos "algo".

Richard: É, nós nem mesmo sabemos o que é esse "algo" que somos intitulados. Nós estamos deixando fluir e preferimos ficar fora de qualquer cena. Talvez somos muito extremos, talvez somos muito antiquados, e este é o modo como eu gostaria que permanecesse. No fim, quando as pessoas ouvem o álbum, e nós gravamos outro álbum e eles nos vêem ao vivo, acho que teremos nossa própria identidade e nosso própria vitória ganha neste negócio musical. No começo era difícil de quebrar, porque as pessoas não querem te abraçar e te amar, sentir que essa é uma grande banda porque eles não sabem em que categoria colocar você. Música é sobre fazer as pessoas pensarem e reagirem, não dar a elas algo de bandeja.

Quando você começou a banda, foi um modo de sair de sua própria situação na hora?
Richard:
Definitivamente, é aquela sede por experiência, aquela sede por energia e aquele sentimento que você obtém da música que nos manterá escrevendo, porque nós ainda não alcançamos nada. Nós escrevemos alguns bons discos, é, mas há um longo caminho pra percorrer. Nós somos tão miseráveis como quando começamos, e estou contente por isso. Eu não quero bolsas de dinheiro, porque tenho certeza de que o dinheiro tira a sede por escrever grandes músicas, como vimos com todas as grandes bandas. Eles sempre parecem alcançar o auge e então desaparecer, porque eles estão muito ocupados fodendo na parte de trás de uma van, fazendo todos os clichês do rock'n'roll, que são apenas tolos e maçantes. Eu acho que os anos 90 é um momento pras pessoas realmente se concentrarem em fazer grandes discos, e não toda a merda que vem junto com isso.

Não parece ser do caráter do Verve fazer qualquer coisa só porque eles podem. Você tem a sensação que eles somente fazem coisas que vão satisfazer e ficar além de seus próprios horizontes. Em algum lugar distante.

Richard: Nossas ambições são grandes, mas não sabemos quais são de fato. Não há nenhuma meta final, apenas ir até onde for possível. A música não é sobre o realismo, é sobre o inalcançável sendo alcançado. Nós temos a idade do nosso lado, nós temos o gosto musical, e provamos no álbum que podemos criar. Então para mim, eu realmente sinto que podemos escrever alguns dos maiores discos por muito tempo, e A STORM IN HEAVEN é um grande começo.

Um grande começo é algo que Verve alcança inúmeras vezes. Não é de se admirar que não há final à vista.

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