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NME _ Anomalias astrais # junho 1992
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Anomalias astrais
Por Roger Morton
Dispensado das "cenas", Verve está literalmente
"lá fora", surfando os níveis mais altos de
pop em longos sete minutos - caminhadas espaciais neurônicas
- com uma pequena ajuda de seus amigos, naturalmente.
Roger Morton aprecia o prospecto do ânus do vocalista
Richard Ashcroft no Chart Show. Senhoras e senhores, se
preparem para a decolagem. É hora de voar. É hora de
montar à brisa estelar no coração ardente do sol
distante.
É hora de
pôr para quebrar, dance com Jumpin' Jack e seja
experiente. Se sempre houve uma banda para restabelecer o
brilho para cem clichês estranhos, é o Verve.
Eu soube que havia algo desde a primeira vez em que os vi.
Eles eram a banda de apoio de um eficiente grupo pop no
verão passado em The Camden Falcon, e eles golpearam o
lugar à parte. Nenhum dos 25 ou somente casuais
observadores soube o que tinha batido neles. Os três recém-apresentados
integrantes, o baixista Simon Jones, o baterista Peter
Salisbury e o guitarrista Nick McCabe, estavam esculpindo
um fluído, ritmado, um raio cerebral que balança numa
escala que não caberia apenas numa suja sala dos fundos
de um pub.
Era absurdo, audacioso e brilhante - e assim era o
vocalista. Richard Ashcroft parecia com um espantalho de
Mick Jagger, se lançou nas ondas da melodia enlouquecida
como algo empanado fritando no óleo quente, e cantou como
se sua sanidade dependesse disto. Eles vieram de Wigan,
aparentemente, e parecia que tinham caído do cais no fim
do universo.
A segunda vez que eu soube que havia algo com o Verve foi
quando ficou aparente que um amigo com a corrente sanguínea
normal era incapaz de escutar A MAN CALLED SUN, o verso
para seu primeiro EP na Hut Records, ALL IN THE MIND, sem
lágrimas brotando. Havia algo em sua força, desafiando a
gravidade, coração jorrando canções que chegaram a
lugares que cem harmonizados jatos grunge não puderam
tocar.
Agora que há um segundo single do Verve nas lojas, está
ficando mais claro o que é. Você pode ouvir isto na
ansiosa explosão de efeitos do lado A, SHE'S A SUPERSTAR
(oito minutos, 51 segundos). Você pode ouvir isto na
quietude flutuante do lado B, FEEL (dez minutos, 40
segundos). Há níveis de sentimento, sombras de sonhos e
vôos de fantasia cerebral no rock do Verve que foi
afastado (marginalizado) da zona de aceitabilidade durante
anos, e por boas razões. Se é mal acabado, é prog rock,
é psicodelia passada e é embaraçoso. Se é bem feito,
poderia ser Primal Scream fazendo HIGHER THAN THE SUN ou
Stone Roses fazendo DON'T STOP. Mas Verve faz isto bem, e,
em Ashcroft, eles têm um frontman numa cela acolchoada
toda sua.
"Por 20 anos eu fui reprimido", diz Ashcroft,
seus olhos brilham negramente. "E quando você tem
todos estes sentimentos reprimidos durante 20 anos, e lhe
é dada a chance de se mostrar, você quer explodir."
Richard Ashcroft: As pessoas podem me olhar e
pensar, 'Que ridículo ou eles podem, inferno, ele
realmente está nessa'. É algo que nunca entra na minha
cabeça. Eu me perco nisto. É como se estivesse me
lavando. É como se eu estivesse me limpando de toda a
merda de que saí.
Richard Ashcroft é magro, bonito, amigável e não tem um
sotaque Lancashire tão carregado quanto a
sua mente. Anos na escola esperando o dia dos
sonhos com um abrangente conhecimento da história de The
Beatles e The Stones, ele flutuou diretamente da escola
para a banda. Ele viu o The Stone Roses e The Charlatans
enquanto Verve ainda estava escrevendo suas canções e
decidiu que queria um pouco disso. Apenas maior, mais
selvagem e realmente livre.
Apenas
passado dos 20, ele já é um conversador persuasivo.
Enquanto os outros três do Verve acenam de acordo, é
Ashcroft que detem o tribunal. Há uma auto-confiança do
Verve que alguns já tentaram interpretar como uma reação
às bandas cheias de desculpas dos recentes anos 80. Mas,
de acordo com Ashcroft, há muito mais do que chamar a
atenção.
Richard: Não é uma reação pra qualquer um.
Eu não me preocupo com o que era antes desta banda. Há
muitas bandas passadas a limpo com o que outras bandas
pensam e fazem, e eu não vivo assim. Esta é uma coisa
totalmente pessoal, não há nenhum parêntese. É tudo
vindo de dentro.
Se nós
tivermos êxito, as raízes de nosso sucesso serão as
pessoas que sabem que nós não damos a mínima, as
pessoas que vêem que nós podemos nos deixar levar e
podemos ser o que nós queremos. As pessoas gostam disto
se elas podem ver que você não é tímido e você não
é limitado por considerações empresariais, e as pessoas
precisam disto no momento. Eles não querem apenas outro
grupo de rapazes num fodido mercado de carnes.
As pessoas não entendem que há coisas maiores que as
paradas. Há mais em jogo. Se eu puder mexer com uma
pessoa emocionalmente, e a levar para outro lugar,
significaria mais para mim que estar no Top of the Pops ou
nos vendo no Top Ten. Lá fora é um grande mundo e
nenhuma dessas coisas se compara a tocar alguém com sua música.
Quando fotografias do Verve vieram primeiro para o NME,
havia quem sugerisse que eles eram muito atraentes para
ser verdade. Richard não acha que é um problema. Ele
acha que é uma boa idéia para se comunicar com "uma
garota de 15 anos, fazendo sua mente balançar e lançando
longe seu álbum do Shakespears Sister". Ele
considera que isso é sobre um clássico pop e ele poderia
ter uma finalidade. O relativo isolamento do Verve em
Wigan os manteve livres de considerações da cena. Eles têm
um ponto de vista que os reserva. Eles são meninos de
cidade pequena que parecem arder na existência, não
apenas tentando ter cartaz em festivais maiores que o
Senseless Things. Eles mergulham nos seus ideais, se
soltam, abrem sensações, voam muito perto do sol,
poderia soar um pouco distante dos deprimidos anos 90. Mas
eles significam isto.
Richard: O cara que vai fazer um vídeo para nós
tem uma dessas máquinas fotográficas internas. Você
pode empurrar ela pela sua garganta abaixo. É incrível.
Eu farei fotografias anais. Seria bonito no The Chart Show
numa manhã de sábado, o ânus de Richard Ashcroft!
Ele está brincando (eu espero), mas há um impulso
exploratório genuíno no Verve que, em um nível
supra-musical, os põe mais na tradição do Floyd do que
do Suede. E isso nos traz para as drogas. A última vez
que o Richard foi ao cinema, foi pra ver Jacob's Ladder,
um drama psicológico do pós-Vietnã. Ele estava, tinha
que ser observado, viajando pela sua face. "É uma
experiência boa, ácido no cinema", ele diz. O tipo
de coisa que você esperaria de um membro de uma banda que
faz uma correria neurônica de longos sete minutos chamada
SPACE. Mas Verve reivindica que não é um retiro
indulgente em paisagens privadas, é mais se lançar num
foguete num curso luminoso, inferno, além.
"Não é um caso clássico de estar esbanjando para
escrever música", ele mostra. "Não é esse
tipo de coisa. Para mim, com as palavras, muito dele a
parecem incorporar coisas como o sol e voar. É algo que
eu estava sentindo todo o tempo. Eu sempre quis voar. Eu
sempre quis ficar longe de onde estava. Eu sempre quis me
sentir mais quente. Mas as letras parecem ser tingidas com
um pequeno tipo de ácido."
Então você não nega que as experiências com drogas
têm sido úteis?
Richard: Claro que elas têm utilidade, porque se você
está vivendo uma vida superficial onde seus limites estão
realmente apertados, e você está escrevendo música, não
há nenhum espaço. Não há nenhum outro lugar para o
qual você pode ir. Se você está experimentando ácido,
é a coisa clássica de ter seus limites sendo levados pra
longe, então você pode ver coisas que nunca pensou que
veria. E você quer relacionar isso com o que está
dizendo. Você quer relatar coisas maiores do que isso.
Você quer relacionar com sóis e vôos.
Mas não é tudo. É somente outra ferramenta, eu viajaria
e veria outro país no mesmo nível com ela. Porque quando
baixa, você ainda acorda na manhã seguinte, e você
ainda está em Wigan, e você ainda está olhando a mesma
vista pra fora da mesma janela.
Você acredita em viagem astral?
Richard:
Sim. Eu acredito que você pode fazer qualquer coisa. Eu
acredito que você pode voar e acredito em viagem astral,
porque, se eu pensasse que somente caminharia em volta
deste lugar durante os próximos 50 anos, eu não acho que
poderia existir.
Estes são tempos misteriosos para o Verve, e eles estão
contentes com isto desse jeito. Eles estão saltando no
espaço pop com suas antenas e tentáculos, procurando por
uma reação e tendo uma. Já, eles estão tendo uma séria
devoção da sua nova, sábia, audiência da geração das
flor. Já, eles estão puxando um contingente também.
Algum psicótico escocês veio até Ashcroft numa balsa
para Amsterdã e previu que ele ia morrer jovem. E, depois
de um particularmente bom show em Reading, alguém veio até
ele e o chamou de c---. Eles devem estar fazendo algo
muito certo.
Richard:
As pessoas foram deformadas pelas últimas duas décadas.
Elas perderam a capacidade de apagar alguma coisa, deixar
seu cabelo cair. Talvez não pareça que estamos dizendo
algo novo, é só um pouco do que eu sinto. Diga que você dissolve alguma maravilhosa droga nova, e você será o único que entende sobre isto.
Diga que você está no Magic Bus com The Merry Pranksters
e você quer compartilhar suas experiências. É algo
assim. É como ter 400 pessoas numa sala e dizer: Percam
Tudo Que Vocês Já Ouviram E Se Percam Nisso.
Quero dizer, sou apenas um cara de Wigan que está na música
e naquilo que estamos fazendo. Não quero me tornar um
tipo de porta-voz. Mas quero que as pessoas se divirtam, e
realmente não me importo se isso soa como alguma declaração
que Timothy Leary fez em 1965. Não me importo.
É mais importante agora que as pessoas comecem a rolar com a vida
e perder suas inibições. No momento, tudo é um grande círculo
e todo mundo está entrando nele. Mas pra maioria das pessoas que fogem disto, o melhor está por vir.
Só quero que as pessoas... sintam.
Segundos depois de eu desligar o tape, um amigo que nunca
tinha ouvido falar de Verve caminha até o bar e abre um
envelope. Por uma misteriosa sincronicidade psíquica, ele
tinha um folheto sobre "drogas inteligentes" que
Verve imediatamente apanha e examina minuciosamente.
"Você apresentou Verve às drogas inteligentes!",
ri Ashcroft. "Nós estaremos mais inteligentes pelos próximos dois meses!"
E voando ao final do ano.
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