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Vírus _ A segunda vinda # setembro 1997

A segunda vinda

The Verve tinha Oasis abrindo seus shows no início da década. O que deu errado? Tudo. Até BITTER SWEET SYMPHONY e THE DRUGS DON'T WORK, singles do novo álbum, URBAN HYMNS, chegarem ao primeiro lugar da parada inglesa.

O vocalista Richard Ashcroft canta que sua luta cotidiana se resume a tentar pagar as contas, firmar-se como indivíduo e ter esperança de ouvir alguma música boa no rádio. Mas, no inverno de 95, ele desistiu de lutar. Logo após as gravações do segundo álbum, saiu disposto a não retornar mais à banda. Foram longas noites de drogas, quartos de hotéis desconhecidos, depressão, cadeira arremessada pelo vidro de um estúdio e pouco sucesso, até Ashcroft chegar ao limite com o guitarrista Nick McCabe.

Depois do fim, da reconciliação e de um dos melhores discos do ano, Mad Richard, como é conhecido na mídia britânica, vive o estrelato. Ele deu essa entrevista a uma jornalista inglesa para ser divulgada em todo o mundo.

por Sasha Stojanovic

Pra começar, o que aconteceu depois do single HISTORY, que marcou o fim do Verve em 95?
Richard Ashcroft:
A banda acabou por razões que não podemos responder. O que aconteceu foi que, depois de lançado o single, cada membro do Verve ficou esperando o que ia rolar. Entramos num período de velório. Eu fiquei fazendo coisas, escrevendo canções, apenas para passar o tempo, pra não parar e morrer. Tinha que continuar a fazer música, porque não sei fazer mais nada.

E agora, como estão encarando o sucesso?
Richard:
Sucesso pode ser uma coisa assustadora, mas também algo muito inspirador. Sempre te leva pra frente. A gente é muito blasé sobre isso. Desde o primeiro dia da banda, sabíamos aonde iríamos chegar. Mesmo depois de ter nosso disco no primeiro lugar da parada, continuamos os mesmos. Nos consideramos sortudos. Muitas bandas da nossa geração não conseguiam um contrato pra gravar, porque o rock estava em baixa quando começamos. Você acaba se acomodando com essa coisa toda. Mas, depois, começa a perceber que pode mudar as regras.

Tem uma faixa secreta no final do disco. Qual é a história?
Richard:
Toda vez que a gente acaba de gravar uma música no estúdio, o Nick não consegue largar a guitarra e continua tocando. E ele grava isso. Quando acabamos o disco, Nick pegou essas gravações, levou pra casa e escolheu os pedaços favoritos pra colocar no fim do disco. Isso representa o mundinho de Nick McCabe.

Como ficou o caso do uso sampleado da música THE LAST TIME (dos Rolling Stones) em BITTER SWEET SYMPHONY (um ex-empresário dos Stones entrou na Justiça contra o Verve e ganhou os direitos sobre a faixa)?
Richard:
Algo saiu errado nessa história. Seria justo que acabasse 50% pra cada lado. Eu ia ficar bem puto, mas, em nome do que é certo, deveríamos ter pago, sim. Agora, 100%, como ficou, é escandaloso.

BITTER SWEET SYMPHONY diz: "Mas as ondas do rádio vêm vazias e não há ninguém cantando pra mim agora". É como você se sente? Não há ninguém na música de hoje que o Verve admire?
Richard:
Sim, tem gente que faz boa música atualmente. Mas a maioria esmagadora é voltada pro rádio. São muito superficiais, vazios. Olhando pra trás, tinha gente como Kurt Cobain fazendo música. Isso, sim, era puro.

O quanto há de autobiografia em suas letras?
Richard:
São facetas da minha personalidade. O que eu penso sobre amor e morte. Só deixa de soar natural quando você começa a analisar. Quando ouvi THE DRUGS DON'T WORK no rádio, pela primeira vez, pensei: "Oh, eu escrevi isso. Mas é sobre o quê? Como é que as pessoas encaram isso?".

THE DRUGS DON'T WORK se refere ao vício de amar uma pessoa tanto quanto sobre problemas com drogas?
Richard:
Os dois, definitivamente. Definitivamente. Não sei.

[foto da matéria]

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